Luxemburgo confirma Xylella fastidiosa na região vitivinícola do Mosela e impõe o arranque de videiras

A bactéria foi detetada em três locais perto da Alemanha; 2,35 hectares estão sujeitos a arranque obrigatório em zonas-tampão de 2,5 quilómetros

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Luxemburgo confirma Xylella fastidiosa na região vitivinícola do Mosela e impõe o arranque de videiras

O Ministério da Agricultura, da Alimentação e da Viticultura do Luxemburgo confirmou a presença da bactéria vegetal Xylella fastidiosa em três locais da região vitivinícola do Mosela, desencadeando medidas obrigatórias de erradicação numa área que inclui vinhas junto à fronteira com a Alemanha.

O ministério informou que a presença da bactéria foi confirmada a 12 de outubro. A descoberta afeta três locais da zona vitivinícola do Mosela, no Luxemburgo, uma importante região produtora de vinho no sudeste do país. Desde então, as autoridades delimitaram zonas infetadas com um raio de 50 metros em torno de cada planta infetada e zonas-tampão com um raio de 2,5 quilómetros em torno de cada área infetada.

As zonas infetadas abrangem um total de 2,35 hectares. Nessas áreas, as autoridades ordenaram a identificação, remoção e destruição das plantas infetadas ou suspeitas de infeção, bem como das plantas da mesma espécie que as infetadas, mesmo quando não apresentam sintomas. O ministério informou que todas as videiras abrangidas por estas medidas têm de ser arrancadas e destruídas.

Segundo o ministério, os viticultores afetados pelas medidas sanitárias serão indemnizados pelas perdas causadas pela destruição das suas videiras.

A Xylella fastidiosa é considerada um dos agentes patogénicos vegetais mais graves da Europa, pois pode infetar uma vasta gama de espécies, incluindo a videira. A bactéria perturba a circulação da seiva no interior da planta, o que pode fazer secar folhas e rebentos e, por fim, matar a planta.

As autoridades afirmaram que o agente patogénico é transmitido sobretudo por insetos que se alimentam da seiva das plantas. Também pode ser disseminado através do transporte de plantas infetadas. Atualmente, não existe tratamento capaz de curar as plantas infetadas, razão pela qual a política europeia de controlo se baseia na contenção e na destruição.

A confirmação no Luxemburgo coloca o país entre um número crescente de Estados-Membros da União Europeia que tiveram de responder a surtos da bactéria. Já foram notificados casos em Itália, França, Espanha e Portugal. Em vários desses países, o agente patogénico provocou perdas agrícolas significativas e levou a esforços prolongados para controlar a sua propagação.

As medidas do Luxemburgo estão a ser aplicadas ao abrigo das regras fitossanitárias, que exigem uma intervenção rápida quando a bactéria é detetada. A ordem de destruição abrange mais do que as plantas com infeção visível, uma vez que os sintomas podem demorar a surgir, embora a bactéria já possa estar presente e ser capaz de se propagar.

O ministério informou que as autoridades alemãs estão a aplicar medidas semelhantes na parte afetada do seu território. A situação reflete a natureza transfronteiriça da região vitivinícola do Mosela, onde as vinhas e os terrenos agrícolas se estendem para lá das fronteiras nacionais e os riscos fitossanitários podem rapidamente tornar-se um problema comum.

A descoberta preocupa os produtores de vinho, uma vez que a videira está entre as plantas hospedeiras suscetíveis à bactéria. Embora o ministério não tenha apresentado uma discriminação completa das espécies vegetais presentes em cada um dos três locais, informou que os controlos obrigatórios se aplicam às plantas infetadas ou suspeitas de infeção e às plantas da mesma espécie nas zonas infetadas delimitadas.

O comunicado do ministério não identificou uma origem para a introdução da bactéria. Em casos anteriores na Europa, as autoridades analisaram frequentemente a circulação de material vegetal e a presença de insetos vetores para determinar como a bactéria poderá ter chegado a determinado local.

Para os viticultores da região do Mosela, o impacto imediato é a perda das videiras nas parcelas afetadas e o reforço dos controlos nas zonas-tampão circundantes. O objetivo desses controlos é reduzir o risco de a bactéria se propagar para outros pontos de um dos principais distritos vitivinícolas do Luxemburgo.

A resposta do Luxemburgo surge enquanto as autoridades europeias continuam a considerar a Xylella fastidiosa uma ameaça agrícola importante, devido à vasta gama de plantas hospedeiras, à inexistência de uma cura e à dificuldade de travar a propagação depois de a bactéria se instalar. O ministério afirmou que as medidas sanitárias atualmente em vigor são obrigatórias.

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