Confiança no setor da hotelaria e restauração britânico sobe para 53%, o valor mais alto de 2026
A melhoria da atividade no terceiro trimestre reforçou o sentimento, mas apenas 11% dos operadores independentes disseram estar otimistas quanto ao próximo ano
terça-feira, 27 de outubro de 2026

A confiança no setor da hotelaria e restauração do Reino Unido melhorou acentuadamente após um terceiro trimestre mais forte, com 53% dos líderes do setor a afirmarem estar otimistas em relação ao seu negócio nos próximos 12 meses, face aos 37% do trimestre anterior, de acordo com dados divulgados na segunda-feira pela NIQ e pela Zonal.
As empresas afirmaram que este é o valor mais alto do setor em 2026 e que aponta para uma melhoria clara do sentimento nos pubs, bares, restaurantes e outras empresas de hotelaria e restauração, após uma atividade mais forte no terceiro trimestre. O aumento sugere que muitos operadores antecipam condições mais favoráveis na reta final do ano, embora o setor continue a registar desempenhos desiguais no mercado.
Esta melhoria, porém, está longe de ser universal. Entre os operadores independentes, apenas 11% disseram estar otimistas quanto ao próximo ano. A diferença entre o indicador geral do setor e o sentimento muito menos positivo entre os independentes evidencia a pressão que continua a afetar as empresas de menor dimensão, mesmo quando os operadores maiores ou mais diversificados parecem estar a recuperar a confiança.
A NIQ e a Zonal afirmaram que a recuperação do setor continuará a depender, em parte, do apoio previsto no Orçamento do Estado do Governo. Embora a atividade mais forte no terceiro trimestre tenha impulsionado as expectativas, os dados indicam que muitos operadores não consideram que o dinamismo recente, por si só, seja suficiente para garantir estabilidade. O alerta é especialmente relevante para as empresas mais pequenas, que continuam menos confiantes na sua capacidade de manter o crescimento nos próximos 12 meses.
Os dados constituem um dos sinais mais claros, nos últimos tempos, de que o sentimento no setor da hotelaria e restauração do Reino Unido está a melhorar após um período difícil. A subida de 37% para 53% num trimestre é significativa e sugere que as condições de atividade no final do verão e no início do outono foram suficientemente fortes para alterar a perspetiva de muitos operadores quanto ao futuro próximo. Ao mesmo tempo, o baixo nível de confiança entre os independentes mostra que o setor não está a avançar ao mesmo ritmo em todos os segmentos.
Para os fornecedores do setor das bebidas, esta mudança de sentimento é relevante porque a hotelaria e restauração é um importante canal de vendas de cerveja, vinho, bebidas espirituosas e bebidas não alcoólicas. Uma maior confiança dos operadores pode apoiar planos de compra de stocks, desenvolvimento de cartas e investimento nos estabelecimentos, o que, por sua vez, pode aumentar a procura pelas marcas de bebidas. Mas as perspetivas pouco favoráveis entre os independentes sugerem que qualquer melhoria nas encomendas de bebidas poderá continuar a ser desigual, sobretudo para os produtores e distribuidores que dependem fortemente de pubs, bares e restaurantes de menor dimensão.
Os números apontam também para uma possível divisão na forma como as empresas abordarão as despesas nos próximos meses. Os operadores com perspetivas mais favoráveis poderão estar mais dispostos a investir no serviço, no pessoal, em promoções e na variedade de produtos. Os independentes, pelo contrário, poderão manter-se cautelosos, limitando os planos de expansão e controlando mais de perto as compras até terem sinais mais claros de apoio através de medidas políticas ou de ganhos mais sustentados na atividade.
A NIQ, grupo de estudos de mercado também conhecido como NielsenIQ, e a Zonal divulgaram os resultados num relatório sobre a confiança no setor da hotelaria e restauração. Os dados sugerem que o setor entrou no último trimestre do ano numa posição mais favorável do que aquela em que se encontrava no início de 2026, mas que a melhoria continua frágil em algumas partes do mercado.
O setor apresenta agora um panorama geral mais positivo do que há um trimestre, mas há um sinal claro de que os operadores de menor dimensão continuam a ter dificuldade em beneficiar desta recuperação e poderão continuar a influenciar os padrões de procura de alimentos, bebidas e consumo nos estabelecimentos.