Club Soda pede que bebidas até 0,5% vol. sejam rotuladas como sem álcool no Reino Unido

Manifesto da Club Soda propõe alívio fiscal, alterações regulamentares e apoio governamental aos produtores de bebidas com baixo ou nenhum teor alcoólico

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Partilhe!

Club Soda pede que bebidas até 0,5% vol. sejam rotuladas como sem álcool no Reino Unido

A Club Soda, um grupo britânico que promove o consumo consciente de bebidas alcoólicas, insta o Governo britânico a reduzir ou eliminar o imposto sobre o valor acrescentado (IVA) aplicado às bebidas sem álcool e a alterar as regras de rotulagem, para que as bebidas com até 0,5% de álcool em volume possam ser comercializadas como «sem álcool».

As propostas integram um documento de política intitulado «Shaking Up Westminster», que o grupo apresentou no início deste mês, durante a Club Soda No, Low and Mid-Strength Summit, no Coin Street Neighbourhood Centre, em Southwark, Londres. O manifesto apresenta cinco pedidos principais, entre os quais alterações fiscais e regulamentares, promoção apoiada pelo Governo e maior apoio aos produtores que desenvolvem bebidas com baixo ou nenhum teor alcoólico.

A Club Soda foi fundada por Laura Willoughby, que afirmou que as regras e políticas atuais não refletem a evolução do mercado. Um dos principais objetivos do grupo é alinhar a regulamentação do Reino Unido com as normas europeias, permitindo a utilização da expressão «sem álcool» em bebidas com até 0,5% vol. Ao abrigo da mesma proposta, as menções «0,0%» e «0%» ficariam reservadas a produtos com, no máximo, 0,05% vol. O grupo pede também uma definição única, aplicável a todo o Governo, do que constitui uma bebida adulta sem álcool.

Willoughby afirmou que o Governo deveria apresentar os produtos sem álcool como uma alternativa prática às bebidas alcoólicas, em vez de se focar apenas na abstinência. «Queremos que o Governo lidere uma campanha nacional que apresente a opção sem álcool como uma substituição positiva», afirmou. Acrescentou que, se as pessoas vão conduzir, as autoridades deveriam incentivá-las a escolher uma cerveja sem álcool, em vez de enquadrar a escolha apenas entre beber água ou não sair de todo.

A proposta fiscal deverá merecer particular atenção por parte de pubs, bares, retalhistas e fabricantes de bebidas, uma vez que incide diretamente sobre os preços. A Club Soda pede aos ministros que eliminem ou reduzam o IVA sobre as bebidas sem álcool vendidas em estabelecimentos de hotelaria e restauração e nas lojas, argumentando que muitos destes produtos têm preços próximos dos das bebidas alcoólicas, apesar de não estarem sujeitos ao imposto especial sobre o consumo de álcool. O grupo defende que a política fiscal deve ser usada para incentivar a moderação.

Esta abordagem poderá ter impacto em todo o setor das bebidas, incluindo cervejeiras, produtores de vinho e empresas de bebidas espirituosas que atualmente comercializam linhas sem álcool, uma vez que uma carga fiscal menor poderá afetar os preços de prateleira, os preços nos menus e a competitividade destes produtos numa área do mercado em rápido crescimento. Uma eventual alteração da definição legal de «sem álcool» poderá também influenciar o desenvolvimento de produtos, as embalagens e a rotulagem das empresas que vendem alternativas à cerveja, ao vinho e às bebidas espirituosas na Grã-Bretanha.

Willoughby afirmou que os produtos sem álcool também devem ser protegidos de políticas destinadas às bebidas alcoólicas que os possam abranger inadvertidamente. «É muito importante proteger, em particular, os produtos sem álcool de legislação que possa afetar as bebidas alcoólicas e, por consequência, afetar involuntariamente os produtos sem álcool», afirmou.

Uma terceira parte do manifesto defende que as bebidas com baixo ou nenhum teor alcoólico devem ser encaradas como uma oportunidade de crescimento industrial, e não sobretudo como uma questão de saúde pública. A Club Soda quer que o Governo reconheça formalmente a categoria como um segmento de elevado crescimento do mercado de bebidas e a inclua em políticas industriais e alimentares mais abrangentes. Pede também melhor acesso ao financiamento público para a inovação através da Innovate UK e da UK Research and Innovation, maiores benefícios fiscais para a investigação e desenvolvimento e um programa de aceleração das exportações de bebidas com baixo, nenhum ou médio teor alcoólico.

Willoughby afirmou que as bebidas sem álcool têm sido excluídas do planeamento industrial. «As bebidas sem álcool não estão incluídas na estratégia industrial e, por isso, queremos garantir que o Governo reconhece esta categoria como merecedora de investimento», afirmou.

O manifesto centra-se também em regulamentações que, na perspetiva da Club Soda, foram concebidas para produtos alcoólicos e nem sempre se adequam aos produtos sem álcool. O grupo pede uma aprovação mais rápida dos ingredientes e das tecnologias de produção utilizados nas bebidas sem álcool, bem como uma maior harmonização com as regras internacionais. Pretende ainda alterações à regulamentação relativa às embalagens, incluindo uma revisão das taxas de Responsabilidade Alargada do Produtor e a implementação do Sistema de Depósito e Reembolso, alegando que os custos administrativos impostos aos produtores de bebidas são demasiado elevados.

Estes pedidos surgem numa altura em que muitas empresas de bebidas estão a alargar as suas gamas sem álcool, mas enfrentam métodos de produção diferentes, ingredientes específicos e requisitos de conformidade distintos dos aplicáveis aos produtos alcoólicos tradicionais. Os intervenientes do setor também têm referido que os consumidores esperam frequentemente uma qualidade de sabor e uma apresentação quase equivalentes, ao mesmo tempo que esperam preços mais baixos, o que pode reduzir as margens mesmo antes de serem considerados os impostos e os custos regulamentares.

O quinto pedido principal da Club Soda é que o Governo promova mais ativamente as bebidas sem álcool. O grupo pretende campanhas financiadas com fundos públicos, a inclusão destas bebidas em mensagens de saúde pública e campanhas contra a condução sob o efeito do álcool, bem como mais opções sem álcool em instalações governamentais e nos bares parlamentares. Willoughby afirmou que a substituição deve ser integrada na comunicação centrada na saúde, como forma de ajudar as pessoas a reduzir o consumo de álcool.

O manifesto apela também às empresas de todo o mercado de bebidas com baixo ou nenhum teor alcoólico para que façam pressão diretamente junto do Governo. Willoughby afirmou que os produtores mais pequenos ajudaram a desenvolver a categoria antes da entrada das grandes marcas de bens de consumo e devem defender o seu contributo para a criação de emprego e o investimento em novos produtos.

Esta iniciativa reflete um esforço mais amplo dos defensores das bebidas sem álcool para levar a categoria para além de uma conversa de nicho centrada na saúde e integrá-la na política geral para o setor das bebidas. Se os ministros adotarem mesmo que apenas parte da agenda, as alterações poderão redefinir a forma como os produtos sem álcool são descritos, tributados e promovidos no Reino Unido, com efeitos diretos para bares, retalhistas e produtores que competem no mercado de alternativas à cerveja, ao vinho e às bebidas espirituosas.

Gostou do artigo? Partilhe-o!

Cookies

Utilizamos cookies e outras tecnologias para o funcionamento do site, analisar a sua utilização e oferecer conteúdos externos. Pode aceitar, rejeitar ou configurar os cookies opcionais.

Política de cookies