Coligação alemã chega a acordo sobre imposto sobre bebidas açucaradas a partir de 2027
A DEHOGA Bayern afirma que a proposta prevê uma taxa de 26 ou 32 cêntimos de euro por litro a partir de 1 de julho de 2027, com isenção para bebidas alcoólicas e cerveja sem álcool
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
A coligação que governa a Alemanha chegou a acordo sobre uma proposta de imposto sobre bebidas açucaradas, segundo a DEHOGA Bayern, a associação bávara de hotelaria e restauração, que afirmou continuar a criticar o plano, mesmo após o compromisso político.
Num comunicado publicado na terça-feira, a DEHOGA Bayern afirmou que a proposta atualmente em discussão prevê uma taxa de 26 ou 32 cêntimos de euro por litro sobre bebidas açucaradas, a partir de 1 de julho de 2027. A associação disse que as bebidas alcoólicas ficariam excluídas da medida, tal como a cerveja sem álcool.
O anúncio constitui uma das indicações públicas mais claras, até agora, sobre a forma como a coligação tenciona traçar a fronteira entre as bebidas sujeitas ao imposto e as isentas. A DEHOGA Bayern não apresentou o acordo como legislação definitiva, mas como um entendimento da coligação que continua a suscitar preocupações no setor da hotelaria e restauração.
A reação da associação sugere que as suas principais objeções não foram resolvidas pelo compromisso. Embora o comunicado divulgado pela associação não detalhe todas as preocupações, a DEHOGA Bayern deixou claro que continua a encarar a proposta de forma crítica, do ponto de vista dos hotéis, restaurantes, cafés e outros operadores do setor da hotelaria e restauração.
A estrutura prevista tem implicações que vão além das prateleiras dos supermercados. Para bares, restaurantes e empresas de catering, o imposto poderá afetar o custo dos refrigerantes e dos mixers açucarados, amplamente utilizados no serviço quotidiano. Ao mesmo tempo, a isenção anunciada para bebidas alcoólicas e cerveja sem álcool poderá limitar o impacto direto nas vendas de cerveja e em alguns segmentos do mercado de bebidas com baixo ou nenhum teor alcoólico, que cresceram nos últimos anos.
Esta distinção deverá ser acompanhada de perto pelos produtores de bebidas e pelos operadores do setor da hotelaria e restauração. Se a medida for aprovada nos termos descritos pela DEHOGA Bayern, as empresas que vendem refrigerantes, bebidas aromatizadas e produtos semelhantes poderão enfrentar custos mais elevados ou pressão para ajustar os preços, as receitas ou as dimensões das embalagens. Também poderão ser afetados os negócios que dependem dessas bebidas como produtos vendidos por si só ou como ingredientes para cocktails.
A decisão atribuída à coligação de deixar as bebidas alcoólicas fora do imposto evitaria uma intervenção mais ampla nos mercados da cerveja, do vinho e das bebidas espirituosas. O tratamento distinto da cerveja sem álcool também é relevante, pois dá um sinal inicial de que os legisladores poderão não classificar todas as bebidas açucaradas da mesma forma, mesmo quando estas concorrem em contextos semelhantes de venda a retalho e de restauração.
Em vários países europeus, defensores da saúde pública têm apoiado os impostos sobre o açúcar como forma de desencorajar o consumo de produtos com elevado teor de açúcar e levar os fabricantes a reformular as suas receitas. Associações do setor, incluindo organizações da hotelaria e restauração e das bebidas, têm argumentado frequentemente que estas taxas aumentam os custos para as empresas e os consumidores, além de acrescentarem complexidade para produtores e retalhistas. A reação da DEHOGA Bayern coloca a associação claramente neste segundo grupo.
Por enquanto, a informação divulgada pela associação bávara aponta para um quadro fiscal, uma data prevista para a entrada em vigor e as categorias que ficariam isentas. É menos claro, com base na informação disponível, de que forma a legislação final definiria os limiares de açúcar, que produtos seriam incluídos em cada escalão fiscal e se o acordo da coligação avançará sem novas alterações durante o processo legislativo federal.