Retalhistas de conveniência elevam para 3% a previsão de crescimento das vendas de cerveja nos EUA
Um inquérito da Goldman Sachs a cerca de 15 000 lojas revela maior confiança na cerveja, mas prevê pressão das bebidas RTD sobre a cerveja artesanal em 2027
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Os retalhistas de lojas de conveniência nos Estados Unidos terminaram o terceiro trimestre com uma visão mais positiva das vendas de cerveja, embora tenham assinalado que a cerveja artesanal poderá enfrentar nova pressão por parte das bebidas prontas a beber no próximo ano.
De acordo com o mais recente inquérito Beverage Bytes da Goldman Sachs, os retalhistas inquiridos, que representam cerca de 10% do canal de lojas de conveniência dos EUA — aproximadamente 15 000 lojas —, disseram esperar que as vendas de cerveja aumentem 3% em termos homólogos. Trata-se de uma melhoria face ao inquérito do banco no primeiro trimestre, quando os participantes previam um crescimento de 2%.
Os resultados, divulgados na quarta-feira pelo Brewbound, sugerem que a confiança na cerveja melhorou ao longo de 2026, pelo menos no canal de conveniência. Isto é relevante porque as lojas de conveniência continuam a ser um canal de mercado fundamental para os produtores de cerveja e para categorias de bebidas de dose individual em rápido crescimento, incluindo cocktails em lata e outros produtos prontos a beber.
O inquérito da Goldman Sachs aponta para um mercado que continua a crescer, mas de forma desigual entre segmentos. Embora a categoria da cerveja, no seu conjunto, pareça estar a resistir melhor do que no início do ano, as perspetivas para a distribuição de espaço nas prateleiras são menos favoráveis para os produtores de cerveja artesanal. O inquérito indicou que se espera que a cerveja artesanal perca espaço nas prateleiras para as bebidas RTD em 2027.
Esta mudança prevista é importante para o setor das bebidas em geral, porque o espaço nas lojas de conveniência é limitado e muito disputado. Quando os retalhistas atribuem mais espaço de prateleira ou nos expositores refrigerados a uma categoria, outra perde frequentemente visibilidade, disponibilidade ou ambas. Para cervejeiros, destiladores, grossistas e empresas de bebidas, mesmo uma pequena alteração na gama de produtos pode afetar os volumes de vendas, os lançamentos de novos produtos e os planos de distribuição.
O inquérito não apontou para uma quebra generalizada da procura de cerveja. Em vez disso, mostrou que os retalhistas estavam um pouco mais confiantes de que a categoria poderia registar um crescimento moderado até ao final do ano. Uma subida de 3% não é um salto expressivo, mas representa uma melhoria face à avaliação anterior e indica que a cerveja se manteve resiliente num canal acompanhado de perto por fornecedores e investidores.
Ao mesmo tempo, o alerta relativo à cerveja artesanal reflete uma tendência de concorrência que já se prolonga há algum tempo. As bebidas prontas a beber expandiram-se rapidamente nos últimos anos e têm atraído a atenção dos retalhistas por poderem captar consumidores à procura de conveniência, variedade e alternativas à base de bebidas espirituosas. Se esta dinâmica se mantiver, os produtores de cerveja artesanal poderão sentir maior pressão para defender os espaços que já ocupam nos expositores refrigerados e nas prateleiras, sobretudo nas lojas com pouco espaço para produtos de rotação mais lenta.
O canal das lojas de conveniência é especialmente importante por captar compras frequentes e por impulso. Isso torna-o um indicador útil para as empresas de bebidas que procuram perceber onde gastam os consumidores e que formatos estão a ganhar terreno. A decisão de um retalhista de acrescentar mais bebidas RTD ou reduzir o número de frentes de cerveja artesanal pode repercutir-se nos grossistas, no planeamento da produção e na estratégia de marketing.
O inquérito da Goldman Sachs abrangeu apenas uma parte do mercado, mas a dimensão da amostra é significativa. Os participantes representavam cerca de uma em cada 10 lojas de conveniência do canal, dando ao banco uma base suficientemente ampla para acompanhar a evolução da confiança ao longo do tempo. A passagem de uma previsão de crescimento de 2% no primeiro trimestre para 3% no terceiro sugere que a posição da cerveja melhorou durante o ano, embora a concorrência nos expositores refrigerados se tenha mantido intensa.
Para os grandes fornecedores de cerveja, os resultados poderão trazer algum alívio, ao indicarem que a categoria não está a perder força de forma generalizada nas lojas de conveniência. Para os produtores mais pequenos, sobretudo os de cerveja artesanal, a mensagem é menos clara. Os retalhistas podem estar mais otimistas em relação à cerveja no seu conjunto, mas isso não significa que todas as partes da categoria beneficiem por igual.
Esta mudança evidencia também a forma como os retalhistas de conveniência equilibram as categorias estabelecidas com as mais recentes. A cerveja continua a ocupar um lugar de destaque na oferta das lojas, mas o crescimento das bebidas RTD leva os compradores a reavaliar a que produtos devem atribuir espaço limitado. Na prática, isso pode favorecer marcas ou segmentos com maior rotação, melhores margens ou maior apelo junto dos consumidores.
O Brewbound citou o inquérito da Goldman Sachs na sua cobertura das tendências das categorias no retalho para consumo fora do estabelecimento. O relatório surge numa altura em que as empresas de bebidas continuam a acompanhar a forma como os consumidores norte-americanos repartem os seus gastos entre cerveja, bebidas enlatadas à base de espirituosas e outras alternativas. Se os retalhistas avançarem com os planos para ampliar o espaço dedicado às bebidas RTD em 2027, o impacto poderá ir além das lojas de conveniência e influenciar as embalagens, o investimento promocional e as decisões sobre portefólios em todo o setor das bebidas.