Mercado da cerveja em Itália deverá crescer 2,5% em 2026, dizem os produtores
Os produtores atribuem a recuperação, após um início fraco, a um verão muito quente, mas a inflação e a subida dos custos continuam a pressionar o setor
sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O mercado da cerveja em Itália deverá terminar 2026 com um crescimento em volume de cerca de 2,5% face a 2025, segundo Federico Sannella, presidente da AssoBirra, a associação italiana de produtores de cerveja e malte, em declarações publicadas na quinta-feira pela Horeca Channel Italia.
A previsão aponta para uma recuperação num mercado que, segundo a própria indústria, começou o ano a um ritmo lento antes de ganhar dinamismo durante o verão. Sannella afirmou que o mercado se tornou mais ativo depois de uma estação muito quente ter impulsionado o consumo, dando aos produtores e distribuidores perspetivas mais favoráveis para os últimos meses do ano.
A projeção diz respeito ao volume do mercado ao longo do ano, não às receitas, e continua a ser uma previsão, não um resultado final. Nem a AssoBirra nem a publicação especializada indicaram volumes absolutos de vendas na notícia, pelo que, com base na informação divulgada, não é possível converter o aumento esperado em hectolitros adicionais.
As declarações de Sannella sugerem que as condições meteorológicas tiveram um papel importante na melhoria. Segundo afirmou, o ano começou a um ritmo lento, mas melhorou significativamente quando as temperaturas elevadas do verão impulsionaram as vendas de cerveja em toda a Itália. A associação considera que esta procura sazonal é uma das razões pelas quais o mercado se manteve «vivo e ativo» depois de um início mais fraco.
Ao mesmo tempo, a AssoBirra alertou que a evolução mais favorável não elimina as pressões mais profundas sobre o setor. Sannella afirmou que a indústria não pode contar com o calor extremo como um apoio permanente, uma vez que estas condições meteorológicas são anormais. Acrescentou que as empresas precisam de se concentrar nas condições subjacentes do mercado enquanto perspetivam 2027.
Segundo Sannella, essas condições incluem mudanças no comportamento dos consumidores, uma inflação que está a limitar as despesas das famílias e o aumento dos custos de produção. Esta combinação aponta para um mercado que este ano revela resiliência em volume, mas continua sujeito a pressões estruturais. A mensagem da associação do setor é que um verão favorável pode impulsionar a procura durante algum tempo, mas não resolve a pressão financeira sobre os consumidores nem o peso dos custos para os produtores de cerveja.
As declarações surgem numa altura em que os produtores de cerveja de toda a Europa tentam equilibrar a quebra nas despesas não essenciais com a evolução dos padrões de procura. Em Itália, a questão parece particularmente relevante para o consumo no canal horeca e para as vendas sazonais, em que as condições meteorológicas podem influenciar rapidamente os resultados. As perspetivas para 2026 descritas pela AssoBirra refletem essa dependência: um verão melhor do que o esperado ajudou a compensar um início de ano fraco, mas a associação não apresenta a recuperação como prova de que as dificuldades do mercado tenham ficado para trás.
Sannella destacou também o crescimento da cerveja sem álcool e com baixo teor alcoólico como uma das áreas mais promissoras do mercado. Segundo afirmou, este segmento também começou o ano lentamente, mas está agora a crescer a uma taxa de dois dígitos. De acordo com as suas declarações, os produtos sem álcool e com baixo teor alcoólico representam atualmente quase 4% do mercado da cerveja em Itália.
Sannella afirmou que o crescimento se deve não só à aposta dos produtores em novos produtos, mas também a uma procura mais forte por parte dos consumidores. Na sua opinião, a categoria acompanha tendências de consumo mais amplas, associadas ao bem-estar e à mudança de estilos de vida. É, por isso, uma das poucas áreas em que a indústria vê um caminho claro de expansão para além do impulso relacionado com as condições meteorológicas que beneficiou o mercado em geral neste verão.
Ainda assim, o segmento da cerveja sem álcool e com baixo teor alcoólico continua a ser pequeno face ao mercado total. Uma quota de quase 4% indica que a cerveja tradicional continua a dominar o consumo global em Itália, apesar de os produtores investirem cada vez mais em alternativas destinadas à moderação e a novas ocasiões de consumo. Para as cervejeiras que enfrentam custos elevados e consumidores mais cautelosos, esta categoria pode representar uma oportunidade de crescimento, mas ainda não tem dimensão suficiente para redefinir, por si só, o mercado.
A Horeca Channel Italia publicou as declarações no âmbito de uma notícia sobre as vendas de cerveja em Itália durante o verão. A publicação especializada citou diretamente Sannella e apresentou o valor de 2,5% como o aumento em volume esperado para o final do ano. O artigo também referiu outros dados de mercado, mas a previsão definida e atribuível à AssoBirra foi de um crescimento de cerca de 2,5% no conjunto de 2026.
Como se trata de uma previsão, o valor ainda poderá mudar antes da divulgação dos dados finais do ano. O artigo não apresentou uma discriminação por canal, região ou tipo de produto, nem indicou que proporção do aumento esperado provém de bares e restaurantes, por oposição às vendas no retalho. Ficam assim por esclarecer questões sobre os locais onde a recuperação foi mais forte e sobre a possibilidade de a procura de verão se manter até ao final do ano.
Por enquanto, a indicação dos produtores de cerveja italianos é que 2026 melhorou após um início fraco e deverá terminar em terreno positivo em termos de volume. A melhoria parece estar estreitamente ligada às condições meteorológicas do verão e à recuperação sazonal do consumo, enquanto a inflação, a mudança de hábitos e o aumento dos custos dos fatores de produção continuam a pesar sobre a indústria.