Importações de vinho em Espanha disparam 65,2% após forte aumento dos envios a granel do Chile

O aumento no primeiro semestre elevou o volume para 64,5 milhões de litros e fez cair o preço médio de importação em 30,8%, para 2,68 € por litro

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

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Importações de vinho em Espanha disparam 65,2% após forte aumento dos envios a granel do Chile

Espanha aumentou acentuadamente as importações de vinho no primeiro semestre de 2026, com uma subida das compras a granel a impulsionar fortemente os volumes, apesar da descida do preço médio. Dados da Agencia Estatal de Administración Tributaria, analisados pela Organização Interprofissional do Vinho de Espanha (OIVE), mostram que o país importou 64,5 milhões de litros de vinho entre janeiro e junho de 2026, mais 65,2% do que no mesmo período do ano anterior.

O valor dessas importações atingiu 172,9 milhões de euros, um aumento de 14,4%. Como os volumes cresceram muito mais do que a despesa, o preço médio de importação caiu 30,8%, para 2,68 € por litro.

O aumento foi impulsionado sobretudo pelo vinho a granel, importado em grandes recipientes, em vez de engarrafado. A OIVE afirmou que as importações de vinho a granel subiram 148% em volume e 145% em valor no primeiro semestre de 2026. Esta alteração na composição dos produtos explica grande parte da descida do preço médio pago por Espanha.

A França manteve-se como o principal fornecedor de vinho de Espanha em valor. Os envios franceses valeram 93,6 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2026, mais 4,8% do que um ano antes. A Itália ficou em segundo lugar, com 22,3 milhões de euros, menos 11,2%. O Chile subiu ao terceiro lugar em valor, com quase 14 milhões de euros, registando um aumento de 387% e avançando duas posições no ranking.

O panorama foi diferente quando medido em volume. O Chile tornou-se o maior fornecedor de vinho de Espanha no primeiro semestre de 2026, com 23,9 milhões de litros. Foram mais 20,5 milhões de litros do que no mesmo período de 2025, um aumento de 605%. Seguiu-se a Itália, com 10,8 milhões de litros, praticamente estável, com uma descida de 0,1%. A França ficou em terceiro lugar em volume, com 10,5 milhões de litros, mais 49,3%.

Os dados revelam um mercado dividido entre importações de maior valor provenientes de produtores europeus próximos e envios muito mais volumosos e baratos do Chile. A França representou pouco mais de metade do valor das importações de vinho de Espanha no primeiro semestre de 2026, enquanto o Chile forneceu mais de um terço do volume.

Por tipo de produto, o vinho espumante manteve-se como a categoria mais importante em valor. Espanha gastou 69,5 milhões de euros em importações de vinho espumante no primeiro semestre de 2026, mais 7,3% do que um ano antes. Os vinhos com Denominação de Origem Protegida (DOP) ficaram em segundo lugar em valor, com quase 42 milhões de euros, menos 4,2%. Seguiu-se o vinho a granel, com 28,5 milhões de euros, após uma subida de 145%.

O vinho a granel liderou destacadamente o ranking por volume. Espanha importou 44,4 milhões de litros de vinho a granel no primeiro semestre de 2026, mais 148%, sobretudo devido ao aumento das compras ao Chile. Os vinhos DOP ficaram em segundo lugar, com 4,7 milhões de litros, menos 3,5%. Seguiu-se o vinho espumante, com 4,1 milhões de litros, menos 12,6%.

Isto significa que o vinho a granel representou a maior parcela dos litros que entraram em Espanha, embora o vinho espumante tenha gerado a maior despesa. O contraste aponta para um preço por litro muito mais baixo nos envios a granel do que nas categorias de vinho engarrafado ou espumante.

A categoria mais ampla das importações do setor vitivinícola também cresceu fortemente no primeiro semestre de 2026. Incluindo vinhos aromatizados, mostos de uva e vinagres, Espanha importou 96,6 milhões de litros de produtos relacionados com o vinho, mais 56,6% do que no mesmo período de 2025. O valor total atingiu 225,9 milhões de euros, mais 16%. Com base nestes totais, o preço médio foi de cerca de 2,34 € por litro, menos 26%.

Na categoria mais restrita do vinho, o forte aumento das compras a granel alterou a estrutura das importações espanholas. O vinho espumante continuou a concentrar a maior despesa e os vinhos DOP mantiveram-se como uma categoria de grande valor, mas o crescimento mais acentuado foi registado por produtos mais baratos, comprados em quantidades muito superiores.

O aumento dos envios do Chile foi determinante para esta mudança. O Chile tornou-se não só o principal fornecedor de Espanha em volume, como também registou o crescimento mais rápido entre os principais fornecedores. O aumento das vendas para Espanha foi suficiente para o fazer subir ao terceiro lugar em valor, atrás apenas da França e da Itália, embora as receitas totais chilenas continuassem muito abaixo das francesas.

A posição da França revelou o padrão oposto. O país manteve-se firmemente no primeiro lugar em valor, com importações que ultrapassaram em mais de quatro vezes o total do Chile, mas ficou atrás deste e da Itália em litros enviados. Isto sugere que o vinho importado de França continuou a alcançar um preço médio muito superior ao do mercado no seu conjunto.

A Itália ocupou o segundo lugar tanto no ranking por valor como no ranking por volume, embora o seu desempenho tenha sido misto. A despesa com vinho italiano caiu 11,2%, enquanto o volume importado de Itália permaneceu praticamente inalterado.

Os dados por categoria também mostraram que alguns segmentos perderam terreno, apesar do crescimento global do mercado. Tanto os vinhos DOP como o vinho espumante registaram uma descida dos volumes, e os vinhos DOP também recuaram em valor. Ainda assim, ambas as categorias continuaram a ter um peso importante no perfil das importações espanholas, devido aos seus preços mais elevados.

A análise da OIVE aponta para um mercado de importação de vinho que cresceu rapidamente no primeiro semestre de 2026, mas de forma muito desigual. Espanha comprou muito mais vinho ao estrangeiro, mas o aumento concentrou-se nos produtos a granel, sobretudo provenientes do Chile, enquanto a França se manteve como principal fornecedor de produtos de elevado valor.

A inclusão de vinhos aromatizados, mostos de uva e vinagres alarga o âmbito da análise, mas não altera a tendência principal. O valor total das importações do setor vitivinícola aumentou, os volumes cresceram ainda mais depressa e o preço médio baixou, à medida que os envios mais baratos passaram a representar uma parcela maior das compras.

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