Índia reúne-se com destiladores a 2 de novembro devido a disputa sobre tarifas do whisky escocês a granel

Produtores nacionais juntaram-se à Diageo e à Pernod Ricard para alertar que excluir as importações a granel das reduções pautais pode prejudicar a produção local

sábado, 31 de outubro de 2026

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O Governo da Índia vai reunir-se com empresas do setor das bebidas alcoólicas a 2 de novembro, depois de grandes destiladores nacionais se juntarem à Diageo e à Pernod Ricard na contestação ao tratamento dado por Nova Deli às importações de whisky escocês a granel ao abrigo do acordo comercial entre a Índia e o Reino Unido, segundo quatro pessoas com conhecimento direto dos planos e uma carta do setor noticiada pela Reuters.

No centro da disputa está a posição do Governo de que o whisky escocês importado a granel para a Índia não beneficia da redução pautal acordada no pacto comercial, apesar de as taxas aplicadas a certas importações de whisky escocês terem descido de 150% para 75% quando o acordo entrou em vigor, em julho. A questão tornou-se rapidamente o primeiro grande diferendo comercial associado ao novo acordo.

Responsáveis de topo do Ministério do Comércio da Índia deverão reunir-se à porta fechada com executivos de empresas de bebidas alcoólicas estrangeiras e indianas, disseram as fontes. O ministério não respondeu a um pedido de comentário fora do horário normal de expediente, no sábado, 31 de outubro.

A International Spirits & Wines Association of India, entre cujos membros se contam a Pernod Ricard e a Diageo, já alertou o Governo, em privado, para o risco de a exclusão do whisky escocês a granel reduzir o valor do acordo comercial. A Confederation of Indian Alcoholic Beverage Companies, que representa produtores locais, também pediu agora uma intervenção.

Numa carta confidencial datada de terça-feira, 27 de outubro, o grupo indiano do setor afirmou que negar a taxa pautal mais baixa ao whisky escocês a granel utilizado na produção local poderia levar as empresas a optar pela importação de produtos acabados. Segundo o grupo, esse resultado contrariaria a política governamental «Make in India», ao reduzir os incentivos à produção nacional.

Este argumento alarga a disputa para lá dos produtores estrangeiros de bebidas espirituosas. Entre os membros do grupo do setor local estão as empresas cotadas Radico Khaitan, que produz a marca 8PM, e Allied Blenders and Distillers, que produz Officer’s Choice. Nem o grupo nem as empresas responderam de imediato às perguntas da Reuters. As empresas envolvidas afirmaram que cumprem a lei.

O que está em jogo é significativo para o setor das bebidas. Cerca de 80% do whisky escocês expedido do Reino Unido para a Índia, em volume, chega a granel e é utilizado na Índia para produzir marcas de whisky de grande consumo. O mercado indiano de bebidas alcoólicas, avaliado em cerca de 65 mil milhões de dólares, esperava que as reduções pautais facilitassem o acesso ao whisky escocês importado e apoiassem tanto as gamas de bebidas espirituosas premium como as destinadas ao mercado de massas. Se os envios a granel continuarem excluídos da taxa mais baixa, os destiladores que lotam, engarrafam ou comercializam whisky na Índia poderão beneficiar menos do acordo comercial do que esperavam.

A Allied Blenders reforçou esse argumento numa apresentação a investidores divulgada esta semana, na qual se descreveu como um dos maiores importadores de whisky escocês a granel e afirmou que o acordo com o Reino Unido melhoraria o acesso ao seu portefólio de luxo. A nova interpretação das disposições pautais poderá afetar esses planos.

A disputa tem também um peso político e comercial mais amplo. As tarifas sobre o whisky foram uma das questões mais sensíveis durante os anos de negociações do acordo de comércio livre entre o Reino Unido e a Índia. A Índia, um dos maiores mercados de whisky do mundo, acabou por aceitar reduzir para metade os impostos sobre certas importações de whisky escocês, uma concessão há muito reivindicada pelos produtores britânicos.

O Reino Unido afirmou estar a trabalhar com a Índia para resolver a questão. A Reuters noticiou que responsáveis escoceses também manifestaram diretamente as suas preocupações a Nova Deli. Na sexta-feira, 30 de outubro, o vice-primeiro-ministro da Escócia, John Swinney, disse ter abordado as tarifas sobre o whisky escocês durante uma visita à Índia centrada nas relações económicas e nas oportunidades para as empresas escocesas.

A Índia não explicou publicamente em pormenor por que razão o whisky escocês a granel está a ser tratado de forma diferente ao abrigo do acordo. De forma mais geral, as disputas sobre tarifas e impostos têm sido uma fonte recorrente de tensão para investidores estrangeiros na Índia, alguns dos quais enfrentaram grandes exigências de pagamento de impostos retroativos. Em casos deste tipo, as autoridades indianas afirmaram estar a aplicar a legislação em vigor.

É provável que fabricantes de bebidas espirituosas dos dois países acompanhem de perto a reunião de 2 de novembro. Para os exportadores britânicos, a questão afeta o acesso a um dos mercados de crescimento mais importantes do mundo para o whisky. Para os destiladores indianos, poderá determinar se o acordo comercial incentiva mais operações locais de lotagem e engarrafamento ou torna os produtos acabados importados relativamente mais atrativos.

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