Vendas de licores cremosos no retalho de viagem global cresceram 16% em 2025

Dados da IWSR apontam para um crescimento de 12% em volume, impulsionado pela procura para oferta e pelas edições limitadas nos aeroportos

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

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Os licores cremosos registaram um dos maiores crescimentos no retalho de viagem global no ano passado, com as vendas a subirem 16% em valor e 12% em volume em 2025 face a 2024, segundo dados de mercado citados pela publicação do setor das bebidas Global Drinks Intel e atribuídos à IWSR.

Os números apontam para um segmento em expansão tanto nas vendas físicas como nas receitas no canal de retalho de viagem, que inclui lojas isentas de impostos nos aeroportos e outros estabelecimentos destinados a viajantes internacionais. O aumento mais acentuado em valor do que em volume sugere que o mix de produtos, os preços ou ambos contribuíram para que as receitas crescessem mais depressa do que o número de unidades vendidas, embora os dados disponíveis não permitam distinguir esses fatores. Não foram divulgados o valor total das vendas, a moeda nem o volume em litros.

Os dados foram publicados numa análise da Global Drinks Intel, a 22 de outubro, sobre bebidas espirituosas aromatizadas e licores no retalho de viagem. A publicação atribuiu os números à IWSR, empresa de estudos de mercado de bebidas anteriormente conhecida como International Wine and Spirits Record. A IWSR acompanha os mercados de bebidas alcoólicas em mais de 160 países e tem escritórios em Londres, Nova Iorque e Singapura.

O relatório indicou que os licores, no seu conjunto, superaram o mercado global de bebidas alcoólicas no retalho de viagem em 2025, beneficiando da inovação nos sabores, da procura para oferta e dos esforços das marcas para transformar as compras nos aeroportos numa experiência mais envolvente. Os licores cremosos foram destacados como um dos exemplos mais claros desta tendência, com os produtores a recorrerem a edições limitadas, embalagens sazonais, programas de prova e produtos exclusivos para o canal de viagem, de modo a captar a atenção dos viajantes que decidem rapidamente o que comprar.

Charlotte Reid, responsável sénior de insights da IWSR para o retalho de viagem global, afirmou, em declarações citadas pela publicação, que os licores se revelaram «notavelmente resilientes», apesar de a pressão sobre o custo de vida continuar a fazer-se sentir no canal. Segundo a responsável, os preços praticados nas lojas isentas de impostos e a interação nas lojas ajudam a posicionar os licores como um pequeno luxo acessível e uma escolha natural para oferecer ou comprar por impulso durante uma viagem.

Este contexto parece ter favorecido os licores cremosos, muitas vezes comprados para partilhar ou oferecer e com preços mais acessíveis do que muitos uísques ou bebidas espirituosas à base de agave. O relatório indicou que o crescimento do segmento mais amplo dos licores se concentra sobretudo nos produtos de gama standard, o que permite chegar a viajantes que poderão estar a limitar os gastos, mas continuam à procura de algo que pareça especial ou exclusivo.

O exemplo mais forte de uma marca conhecida neste segmento continua a ser Baileys Irish Cream, propriedade da Diageo. A Global Drinks Intel noticiou que a Baileys vendeu 7,5 milhões de caixas de nove litros em todo o mundo em 2025. No retalho de viagem, a marca tem apostado em produtos de edição limitada com novos sabores e em exposições sazonais, incluindo uma garrafa alusiva ao Natal e aquilo que um porta-voz da Diageo descreveu como «experiências imersivas de paragem para um mimo» na Dublin Airport Duty Free. A empresa disse à publicação que a procura para oferta e a exclusividade são fatores importantes nas compras em lojas isentas de impostos, sobretudo durante a época festiva, e indicou que prevê novas iniciativas para o Natal de 2026.

Outros produtores também procuram aproveitar o contexto do retalho de viagem para alargar o apelo dos licores cremosos para além dos últimos meses do ano. A Na Cuana Group, produtora do Merry’s Irish Cream Liqueur, lançou no ano passado uma variante de chocolate e manteiga de amendoim no retalho de viagem em Dublin e está a lançar este mês de outubro um produto Dubai Style Chocolate. A cofundadora Sally-Anne Cooney afirmou que as edições limitadas podem ajudar a prolongar a época de vendas de um segmento ainda muito concentrado no último trimestre.

Na Escócia, a Hemisphere Brands lançou este ano, no retalho de viagem, o seu licor cremoso à base de Scotch, Magnum, após receber repetidos pedidos de compradores e viajantes. O cofundador Steve Horne disse à publicação que a prova é central na estratégia da marca e que a empresa espera que o canal represente cerca de um quarto das vendas de Magnum dentro de cinco anos. Acrescentou que o segmento dos licores cremosos ainda tem margem para inovar, apesar do domínio de grandes marcas já estabelecidas.

A Marussia Beverages, que vende Mozart Chocolate Cream no retalho de viagem, afirmou que os elementos associados à oferta podem ter um efeito mensurável nas vendas. A responsável sénior de marca Carina Planeta disse que alterações simples, como acrescentar fitas às garrafas, ajudaram a reforçar o apelo do produto em ocasiões como o Dia dos Namorados e o Natal. A empresa também disponibiliza uma garrafa de um litro exclusiva do canal e utiliza formatos pequenos junto às caixas para incentivar a experimentação e as compras por impulso.

O panorama mais amplo do retalho de viagem é menos uniforme. Embora alguns segmentos de licores estejam a crescer, operadores e produtores continuam a enfrentar uma menor afluência em algumas localizações, mudanças rápidas nas preferências dos consumidores e perturbações geopolíticas. Reid afirmou que o risco geopolítico é o maior desafio a curto prazo para o retalho de viagem global, apontando para o conflito no Médio Oriente, o encerramento de espaços aéreos e as perturbações nos voos, que reduziram o tráfego nos principais aeroportos do Golfo, incluindo Dubai, Doha, Abu Dhabi, Bahrein e Kuwait. Esta perda de ligações também afetou as ligações da Europa à Ásia.

Ainda assim, algumas empresas afirmaram que as perturbações podem criar novos focos de procura. Ruben Canabal, diretor global do canal de retalho de viagem da Zamora Co, afirmou, em declarações publicadas na análise, que os desvios de rotas aéreas para zonas do Mediterrâneo beneficiaram Espanha, ao aumentarem os fluxos turísticos e apoiarem o tráfego e as vendas no país. Descreveu o retalho de viagem como resiliente, mas afirmou que a inflação e a maior volatilidade económica tornaram ainda mais importante dar aos consumidores um motivo para parar, explorar a loja e comprar.

Esta lógica está a influenciar a forma como as marcas de licores investem nos aeroportos e noutros locais de viagem. Os produtores estão a investir em espaços temporários, demonstrações de cocktails, provas, expositores digitais e promoções com oferta na compra. O objetivo é ir além da simples presença nas prateleiras e transformar a visita à loja numa experiência. No caso dos licores cremosos, isso significa muitas vezes destacar o sabor, o prazer e o potencial para oferta, em vez de apostar apenas na raridade ou no prestígio.

O relatório também apontou o setor dos cruzeiros como uma componente cada vez mais importante do retalho de viagem. Reid descreveu os cruzeiros como um «verdadeiro motor de crescimento», afirmando que este subcanal está a contrariar a pressão económica mais ampla, com números recorde de passageiros. Os navios de cruzeiro podem ser particularmente favoráveis aos licores, porque os passageiros têm mais tempo para explorar as lojas e tendem a estar mais dispostos a gastar em compras não essenciais durante as férias. Vários fornecedores disseram à publicação que os espaços a bordo também se prestam a provas, jantares temáticos e outras iniciativas promocionais associadas ao consumo.

O crescimento dos licores cremosos no retalho de viagem surge numa altura em que as marcas procuram alargar as ocasiões de consumo. Os produtores têm associado cada vez mais os licores a cocktails, a bebidas servidas como aperitivo e ao prazer do dia a dia, em vez de os reservar para o inverno ou para a época festiva. Esta mudança é importante porque o retalho de viagem favorece produtos capazes de comunicar rapidamente aos consumidores a sua finalidade, sabor e ocasião de consumo, enquanto estes percorrem uma loja com pouco tempo disponível.

Os números de crescimento de 2025 não revelam, por si só, que parte do aumento de 16% em valor resultou de preços mais elevados, de um mix de produtos mais premium, de efeitos cambiais ou da inflação. Também não incluem uma comparação com 2026. No entanto, a diferença entre o crescimento em valor e em volume indica que os licores cremosos não só venderam mais unidades no retalho de viagem global como também geraram, em média, mais receita por unidade do que no ano anterior.

Para as marcas e os retalhistas, os licores cremosos são, assim, um dos sinais mais claros de crescimento num canal que continua exposto a choques externos. Para os viajantes, ajudam a explicar por que razão as prateleiras dos aeroportos e das lojas isentas de impostos apresentam cada vez mais edições limitadas, embalagens para oferta e promoções centradas em provas de bebidas à base de natas, antes encaradas sobretudo como compras sazonais.

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