Laura Pariani recebe o prémio Maestro do Bere il territorio no Piemonte
O prémio de longa data da Go Wine distingue figuras culturais italianas cujo trabalho reflete a identidade local, a memória e a cultura do vinho.
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
A escritora e dramaturga italiana Laura Pariani foi distinguida este ano como “Maestro” no “Bere il territorio”, um prémio cultural de longa tradição organizado pela associação vínica Go Wine que liga literatura, território e cultura do vinho.
O prémio foi entregue nos últimos dias no Castelo de Grinzane Cavour, no coração das colinas de Langhe, no Piemonte, uma área classificada como Património Mundial da UNESCO. A distinção é reservada a figuras maiores da cultura italiana que possam servir de referência para as gerações mais jovens ou que tenham demonstrado uma ligação distinta à identidade dos lugares e às tradições materiais a eles associadas.
A cerimónia teve lugar durante a 25.ª edição do concurso literário nacional “Bere il territorio,” uma das iniciativas mais antigas da Go Wine. O principal prémio deste ano foi para Lorenzo Franchini pelo conto “Bartolo Brusaferri, lo zen e l’arte d’andar per cantine.” Foi também atribuído um prémio especial ao livro “Valtellina, culla della Chiavennasca e del Vino,” publicado pela Casa Editrice Stefanoni e escrito por Nello Bongiolatti.
Ao lado de Pariani, os organizadores também homenagearam Luigi Moio com um prémio de carreira. Moio é professor universitário, enólogo, produtor de vinho através da sua propriedade Quintodecimo, na Campânia, e antigo presidente da OIV, a Organização Internacional da Vinha e do Vinho. A Go Wine afirmou que a distinção pretendia reconhecer tanto o seu trabalho de investigação como a sua escrita em apoio da cultura do vinho.
Foi atribuído um prémio distinto à Equalitas, o organismo de normalização para a sustentabilidade na cadeia de abastecimento do vinho italiano criado pela Federdoc. A Go Wine afirmou que a Equalitas foi reconhecida pelo seu papel na promoção de normas de sustentabilidade no setor. A sua norma SOPD “Sustainable Wine”, publicada em 2017, foi descrita pelos organizadores como a primeira no mundo a incluir indicadores de sustentabilidade social e laboral como parte integrante de um modelo de certificação. Segundo os números citados no evento, mais de 500 adegas estão agora certificadas ao abrigo da norma, abrangendo mais de 20% da produção nacional de vinho da Itália.
A Go Wine, fundada em Alba em 2001, afirmou que “Bere il territorio” sempre foi uma parte central do seu trabalho cultural. O projeto foi criado para promover a cultura do vinho e o enoturismo em Itália e para apresentar o vinho de qualidade como um produto ligado não só ao sabor e ao comércio, mas também a valores sociais e culturais.
O nome da iniciativa, que pode ser traduzido por “Beber o Território”, foi concebido como uma provocação deliberada, segundo os organizadores. A ideia é que um vinho de qualidade transporta um valor acrescentado porque reflete a cultura, a paisagem e o ambiente de onde provém. Nessa perspetiva, degustar vinho é também uma forma de compreender um lugar.
Os organizadores disseram que o tema continua atual num momento difícil para o mundo do vinho. Referiram os efeitos das alterações climáticas, a questão das tarifas, a mudança dos hábitos de consumo e o aumento dos preços, que poderão afastar parte do público do vinho. A Go Wine referiu também o que considera ser uma pressão crescente para colocar o vinho na mesma categoria que as bebidas espirituosas, uma posição que o grupo rejeita.
O júri do concurso literário incluía o linguista Gianluigi Beccaria, o romancista Valter Boggione, a escritora Margherita Oggero, o jornalista da La Repubblica Bruno Quaranta e o presidente da Go Wine, Massimo Corrado.
A distinção “Maestro” foi atribuída em anos anteriores a uma ampla gama de figuras culturais italianas de destaque, incluindo Luigi Meneghello, Niccolò Ammaniti, Claudio Magris, Lorenzo Mondo, Gianmaria Testa, Sebastiano Vassalli, Dacia Maraini, Alberto Arbasino, Enzo Bettiza, Franco Loi, Francesco Guccini, Pupi Avati, Raffaele La Capria, Gustavo Zagrebelsky, Maurizio Maggiani, Luciano Canfora, Marcello Fois, Maurizio Molinari, Paolo Pejrone, Tullio Pericoli, Ugo Nespolo, Antonio Ricci e Melania Mazzucco.
A seleção de Pariani coloca-a numa linha de escritores, artistas e intelectuais públicos cujo trabalho foi visto pelos organizadores como ligado à memória, à identidade local e à cultura vivida dos lugares italianos. Ao associar a sua distinção às homenagens a Moio e à Equalitas, a edição deste ano sublinhou também como o evento continua a circular entre literatura, investigação, produção e sustentabilidade, mantendo o vinho no centro de um debate mais amplo sobre território e cultura.