As vendas de vodca na Rússia caíram 0,5% até setembro
Os licores e as bebidas preparadas à base de vodca cresceram 10,8% nos primeiros nove meses, acentuando a divergência no mercado russo
segunda-feira, 19 de outubro de 2026

As vendas a retalho de vodca na Rússia recuaram ligeiramente nos primeiros nove meses de 2026, enquanto as vendas de licores e bebidas preparadas à base de vodca continuaram a crescer a um ritmo muito mais acelerado, segundo dados atribuídos por agências noticiosas russas à autoridade federal de controlo do álcool e do tabaco, Rosalkogoltabakkontrol.
As vendas de vodca totalizaram 53,61 milhões de decalitros entre janeiro e setembro, menos 0,5% do que no mesmo período do ano anterior, segundo notícias da PRIME e da Interfax publicadas a 16 de outubro. No mesmo período de nove meses, a categoria russa descrita pelas agências como licores e preparações de vodca cresceu 10,8%, para 14,85 milhões de decalitros. Um decalitro equivale a 10 litros.
Os novos dados revelam uma ligeira deterioração face à tendência comunicada um mês antes. Entre janeiro e agosto, as vendas de vodca tinham recuado 0,1% em termos homólogos, enquanto as de licores e preparações de vodca tinham aumentado 11%, segundo dados da Interfax publicados a 15 de setembro. Com a inclusão de setembro no total acumulado, a quebra da vodca agravou-se 0,4 pontos percentuais e o crescimento dos licores e das bebidas preparadas de vodca abrandou 0,2 pontos percentuais. Estas variações dizem respeito às taxas acumuladas para o período de janeiro a setembro, por comparação com as de janeiro a agosto, e não às vendas isoladas de setembro.
Os números apontam para uma divergência persistente no mercado russo de bebidas espirituosas. A vodca continua a ser, de longe, a maior categoria em volume, mas as suas vendas a retalho têm vindo a diminuir, enquanto categorias próximas, que incluem produtos aromatizados, misturados ou preparados, continuam a crescer. A atualização mais recente indica que esta divergência se manteve até ao final do terceiro trimestre e que a posição da vodca enfraqueceu ligeiramente à medida que o período avançou até setembro.
Nem a PRIME nem a Interfax divulgaram receitas de vendas a retalho, preços ou valores médios de venda destas categorias. Assim, os dados mostram apenas variações nos volumes de vendas físicas e não permitem determinar se a mudança foi impulsionada por alterações de preços, promoções, pressão sobre os rendimentos, impostos, composição dos produtos ou outros fatores de mercado. Os números também não provam que os consumidores estejam a substituir diretamente a vodca por licores ou bebidas preparadas à base de vodca, numa relação de um para um.
A Rosalkogoltabakkontrol é a autoridade federal russa responsável pela supervisão do controlo do álcool e do tabaco. As agências atribuíram a esta entidade as estatísticas citadas. O portal oficial não estava acessível para consulta independente, pelo que não foi possível verificar diretamente os números na publicação original à data da redação.
O conjunto de dados utilizado neste artigo exclui os volumes de brandy devido a discrepâncias entre os relatórios publicados, o que impede uma comparação fiável dessa categoria. Os relatórios das agências disponíveis destacaram, em vez disso, o contraste entre a vodca e o grupo de licores e preparações de vodca, em rápido crescimento.
Em termos absolutos, a vodca continuou a representar um volume de vendas a retalho muito superior ao do segmento em expansão dos licores e das bebidas preparadas. Ainda assim, a diferença entre as taxas de crescimento manteve-se acentuada. Uma quebra de 0,5% nas vendas de vodca, com uma base de 53,61 milhões de decalitros, significa que a categoria se manteve, em termos gerais, perto do nível do ano passado, mas recuou ligeiramente. Em contrapartida, o aumento de 10,8% dos licores e das preparações de vodca elevou o volume do segmento para 14,85 milhões de decalitros, sublinhando uma procura mais forte nessa parte do mercado de bebidas espirituosas.
Não é possível determinar a evolução mensal ao longo dos nove meses apenas com base nos valores acumulados. Os números publicados permitem afirmar algo mais limitado e preciso: após a inclusão de setembro, a quebra homóloga da vodca tornou-se um pouco mais acentuada do que a registada até agosto, enquanto o crescimento dos licores e das preparações à base de vodca abrandou ligeiramente, mas continuou forte.
A divulgação mais recente prolonga, assim, uma tendência que as agências russas têm vindo a assinalar há vários meses. Em volume de vendas a retalho, as vendas de vodca na Rússia continuaram a recuar moderadamente entre janeiro e setembro de 2026, enquanto os licores e as bebidas preparadas de vodca mantiveram um crescimento de dois dígitos, apesar de uma ligeira desaceleração face ao ritmo registado até agosto.