Líderes da hotelaria entregam petição com 400 mil assinaturas para exigir redução do IVA para 10%
Os apoiantes dizem que pubs, restaurantes, cafés, bares e hotéis precisam de medidas de apoio antes do Orçamento de 28 de outubro para evitar novos encerramentos.
quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Líderes da hotelaria entregaram uma petição com mais de 400 mil assinaturas em Downing Street, apelando ao Governo britânico para reduzir o IVA do setor de 20% para 10% antes do Orçamento de 28 de outubro.
A petição integra a campanha #VATsTheProblem, que tem recebido apoio de empresas e consumidores de todo o setor. Os apoiantes afirmam que pubs, restaurantes, cafés, bares e hotéis enfrentam graves dificuldades financeiras e precisam de uma taxa de imposto mais baixa para proteger empregos e evitar mais encerramentos nas ruas comerciais de todo o país.
Entre os apoiantes da iniciativa estão Allen Simpson, diretor executivo da UKHospitality, Emma McClarkin, diretora executiva da British Beer and Pub Association, e o chef Tom Kerridge. Defendem que uma taxa reduzida de IVA daria aos operadores margem para absorver custos, investir e manter a atividade numa altura em que muitos estabelecimentos enfrentam margens reduzidas.
Kerridge afirmou que o nível de apoio à campanha demonstra que tanto o público como as empresas de hotelaria consideram necessária uma taxa de IVA de 10% para os estabelecimentos locais. Segundo disse, os apoiantes querem transformar encerramentos em aberturas, perdas de emprego em novos postos de trabalho e lojas vazias em negócios ativos.
A petição surge cerca de duas semanas antes da declaração orçamental do Governo e vem somar-se a um esforço de pressão mais amplo por parte do setor. Os grupos da hotelaria alertam há meses que o aumento dos custos laborais e operacionais está a pressionar muitas empresas. As associações do setor também têm criticado as medidas anunciadas no Orçamento de 2025 de Rachel Reeves, sobretudo o aumento das contribuições para a Segurança Social pagas pelas entidades empregadoras, que, afirmam, agravou os encargos dos operadores já confrontados com a inflação e uma procura mais fraca por parte dos consumidores.
A pressão também se reflete nos inquéritos ao setor. Num relatório publicado em julho, uma em cada seis empresas de hotelaria no Reino Unido afirmou estar em risco de encerrar nos 12 meses seguintes devido à pressão dos custos, segundo a Harpers.
O debate fiscal tem implicações que vão além dos operadores de restauração. Pubs, bares, restaurantes e hotéis são importantes pontos de venda de cerveja, vinho e bebidas espirituosas, pelo que qualquer alteração do IVA pode afetar os preços das bebidas, as margens e a procura dos consumidores num canal de vendas fundamental para produtores e distribuidores de bebidas. Se os impostos se mantiverem elevados, os operadores poderão ter menos margem para praticar preços competitivos ou alargar a oferta de bebidas. Se os impostos baixarem, algumas empresas poderão ganhar flexibilidade para sustentar os volumes e preservar a atividade.
A campanha pede aos ministros que tratem a hotelaria de forma diferente do regime normal de IVA, argumentando que a intensidade de mão de obra do setor e a sua exposição às despesas das famílias o tornam particularmente vulnerável quando os custos aumentam. As associações do setor afirmam que uma taxa mais baixa ajudaria as empresas que não conseguem repercutir facilmente todos os aumentos nos clientes, sobretudo nas zonas do país onde as despesas continuam limitadas.
O Governo não indicou que irá aprovar a redução proposta antes do Orçamento. Mas a entrega da petição no gabinete do primeiro-ministro aumenta a pressão sobre os ministros, que preparam um pacote orçamental muito aguardado para um setor que afirma suportar uma carga fiscal excessiva num momento de fragilidade.