Rússia proíbe temporariamente bebidas georgianas, incluindo Coca-Cola
A Rospotrebnadzor afirmou que vinhos, conhaques, cerveja, refrigerantes e água mineral não passaram nos controlos de segurança, levando os retalhistas a retirá-los das lojas.
sábado, 10 de outubro de 2026

A autoridade russa de segurança dos consumidores proibiu temporariamente a importação e a venda de várias bebidas alcoólicas e não alcoólicas produzidas na Geórgia, alargando as restrições, que abrangem agora vinhos, conhaques, cerveja, refrigerantes e água mineral, segundo um documento consultado pela RBC e fontes familiarizadas com o assunto.
A Rospotrebnadzor, agência federal responsável pela supervisão dos direitos dos consumidores e da proteção da saúde pública, concluiu que os produtos em causa não cumpriam os requisitos estabelecidos para os parâmetros organoléticos e físico-químicos, bem como as normas de segurança, noticiou a RBC. A publicação referiu que a medida foi introduzida ao abrigo de uma decisão do Conselho da Comissão Económica Eurasiática e se aplica à importação e comercialização dos produtos enumerados na Rússia.
Entre os produtos identificados no documento estão vinhos produzidos pela Teliani Veli e pela Tbilvino, vinhos e conhaques produzidos pela Askaneli Brothers, vinhos produzidos pela Wineman, cerveja produzida pela Georgian Beer Company, Coca-Cola produzida na Geórgia e água mineral Nabeglavi, produzida pela Healthy Water. A restrição é descrita como uma medida sanitária temporária.
A RBC afirmou ter obtido o documento e que uma fonte do mercado russo de bebidas alcoólicas confirmou a informação. Uma pessoa ligada a uma das maiores cadeias retalhistas do país também confirmou à publicação que a carta tinha sido recebida. A notícia não incluiu uma declaração pública da Rospotrebnadzor que explicasse em detalhe que lotes específicos foram afetados ou se a agência tinha definido condições para o levantamento das restrições.
A Associação de Empresas Retalhistas, conhecida pela sigla russa AKORT, confirmou posteriormente à RBC que tinha recebido a ordem da autoridade de supervisão. Stanislav Bogdanov, presidente da associação, disse à publicação que as cadeias associadas já tinham começado a retirar os produtos enumerados da venda. Afirmou que a segurança dos produtos continua a ser uma prioridade para os retalhistas e que as cadeias estavam a executar prontamente as decisões do regulador, continuando a acompanhar a situação.
A Auchan também disse à RBC que tinha recebido a notificação da Rospotrebnadzor e retirado das lojas todos os produtos especificados. A RBC afirmou ter enviado pedidos de comentário à Rospotrebnadzor, à AKORT e a grandes retalhistas, incluindo X5, Magnit, Lenta, Spar, Auchan e Metro.
A medida vem juntar-se a uma série de restrições recentes impostas pelas autoridades russas a bebidas importadas do Cáucaso do Sul. Em maio, a Rospotrebnadzor afirmou ter encontrado no mercado bebidas alcoólicas da Arménia que não cumpriam os requisitos obrigatórios e ordenou a suspensão das vendas de produtos de três produtores arménios: Vedi-Alco, Abovyan Brandy Factory e a casa de vinhos e conhaques Shakhnazaryan. Em abril, a agência suspendeu a importação e a comercialização de alguns lotes da água mineral Jermuk, da Arménia, invocando um risco para a saúde após a deteção de níveis elevados de iões bicarbonato, cloretos e sulfatos.
A medida mais recente deverá ser acompanhada de perto pelo setor das bebidas, uma vez que abrange não só o vinho, mas também várias categorias importantes de produtos vendidos através de grandes cadeias retalhistas russas. Para importadores, distribuidores e operadores de lojas, a suspensão poderá interromper acordos de fornecimento relacionados com os produtores georgianos afetados e obrigar a uma revisão de contratos, inventários e alternativas de substituição. A pressão poderá fazer-se sentir de forma especialmente imediata entre os comerciantes com espaço de prateleira dedicado a vinhos, cerveja, bebidas espirituosas, refrigerantes e água engarrafada importados.
A decisão abrange também marcas amplamente reconhecidas pelos consumidores. O vinho georgiano está presente na Rússia há muito tempo, enquanto a água mineral Nabeglavi e a Coca-Cola engarrafada na Geórgia são vendidas em algumas zonas do mercado, lado a lado com alternativas nacionais e de outros países. A retirada destes produtos das prateleiras das lojas, mesmo que temporária, poderá transferir a procura para produtos substitutos caso as restrições se mantenham durante um período prolongado.
A notícia da RBC não indicou a quantidade de produto que já estava em distribuição quando a ordem foi emitida nem que proporção das vendas na Rússia estava associada às empresas afetadas. Também não esclareceu se os produtores contestaram as conclusões ou se pretendiam tentar regressar rapidamente ao mercado após novos testes ou medidas corretivas. Para já, os retalhistas que receberam a notificação parecem estar a agir rapidamente para cumprir a ordem, enquanto as autoridades mantêm as restrições em vigor.