RAW WINE estará na Slow Wine Fair 2027, em Bolonha
O acordo cria um espaço no Pavilhão 20 para produtores internacionais de vinhos de intervenção mínima que procuram importadores, distribuidores e compradores da restauração
terça-feira, 27 de outubro de 2026

A RAW WINE realizará a sua etapa italiana na Slow Wine Fair 2027, em Bolonha, juntando uma das redes internacionais mais conhecidas do vinho natural a um evento que se tornou um ponto de encontro fundamental para produtores e compradores profissionais do setor dos vinhos de intervenção mínima em Itália.
O anúncio foi feito na terça-feira pela BolognaFiere e pela Slow Food, entidades organizadoras da Slow Wine Fair, que regressará para a sua sexta edição entre 21 e 23 de fevereiro de 2027. A feira realiza-se em Bolonha e centra-se em vinhos produzidos segundo práticas biológicas, biodinâmicas e outras de intervenção mínima.
Ao abrigo da nova parceria, a RAW WINE criará um espaço de exposição dedicado, no Pavilhão 20, para produtores internacionais de vinhos naturais, biológicos, biodinâmicos e de intervenção mínima. Os organizadores afirmaram que o espaço terá como objetivo aproximar essas adegas de importadores, distribuidores especializados, proprietários de lojas de vinhos, sommeliers e profissionais dos setores da restauração e da hotelaria.
O acordo reforça o perfil internacional da Slow Wine Fair numa altura em que produtores e distribuidores disputam espaço num mercado mundial do vinho muito concorrencial e recorrem cada vez mais à sustentabilidade, à identidade e à autenticidade como argumentos de venda. Dá também à RAW WINE uma plataforma italiana integrada num evento profissional já estabelecido, em vez de uma feira independente.
A Slow Wine Fair é organizada pela BolognaFiere em parceria com a Slow Food e assenta nos princípios da organização de um vinho “bom, limpo e justo”. Fundada em 2012, a RAW WINE apresenta-se como uma comunidade global de produtores artesanais que trabalham segundo métodos naturais, biológicos, biodinâmicos e de intervenção mínima. Segundo os organizadores, a RAW WINE reúne atualmente mais de 2 000 viticultores artesanais e organiza eventos nos principais mercados do vinho da Europa, da América do Norte e da Ásia.
A parceria reflete uma forte convergência na forma como ambas as marcas definem a sua missão. Ambas destacam o vinho como expressão do lugar, da biodiversidade e das opções agrícolas, bem como as práticas na vinha e na adega destinadas a reduzir a intervenção. Na prática, isso traduz-se num enfoque comum em adegas que recorrem à agricultura sustentável e a uma intervenção mínima na produção do vinho.
Para Bolonha, o acordo integra também um esforço mais amplo para dar maior visibilidade à cidade como centro internacional deste segmento do setor do vinho. Os organizadores afirmaram que a iniciativa apoia um modelo que combina identidade dos produtores, sustentabilidade e oportunidades comerciais.
A vertente comercial é importante para ambas as partes. A BolognaFiere afirmou que a última edição da Slow Wine Fair, com o apoio da agência italiana de comércio Agenzia ICE, recebeu 350 compradores de 32 países e registou mais de 2 000 reuniões entre empresas. Estes números deverão ser um importante atrativo para os produtores que se juntarão à secção da RAW WINE no próximo ano, sobretudo para as pequenas adegas à procura de parceiros de exportação.
Segundo os organizadores, está também prevista uma programação de provas e masterclasses para o espaço da RAW WINE. Afirmaram que estas iniciativas pretendem reforçar o contacto direto entre adegas e profissionais do setor, dando simultaneamente aos compradores mais contexto sobre os métodos de produção e os estilos regionais.
A RAW WINE foi fundada por Isabelle Legeron, Master of Wine francesa que se tornou uma das mais destacadas defensoras dos vinhos naturais e de intervenção mínima. Os organizadores descreveram-na como a primeira mulher francesa a obter o título de Master of Wine, assinalando que o Institute of Masters of Wine, em Londres, atribuiu a qualificação a 427 pessoas de 31 países. Acrescentaram ainda que Legeron deverá receber a Legião de Honra de França pelo seu contributo para o setor do vinho.
Nas declarações divulgadas com o anúncio, Legeron afirmou que a parceria ajudará a apoiar o movimento dos vinhos biológicos, biodinâmicos, naturais e de intervenção mínima. Relacionou a colaboração com a mensagem mais abrangente da Slow Food sobre os sistemas alimentares e a resistência à normalização industrial, afirmando que os dois grupos partilham uma missão e que o trabalho conjunto poderá reforçar a sua voz no mercado.
Rossano Bozzi, diretor da unidade de negócios da BolognaFiere, enquadrou o acordo numa estratégia mais ampla para as feiras profissionais, que vai além dos números de participação. Numa declaração, afirmou que o futuro das feiras depende da capacidade de reunir comunidades reconhecidas internacionalmente, responder às mudanças do mercado e criar oportunidades comerciais concretas para expositores e compradores. Disse que a parceria com a RAW WINE representa um passo importante no posicionamento internacional da Slow Wine Fair e apoia o objetivo da BolognaFiere de criar em Bolonha uma plataforma distintiva para a viticultura artesanal, sustentável e independente.
Este enfoque no crescimento internacional ajuda a explicar por que razão a aliança é importante para além da própria feira. Durante muitos anos, o vinho natural circulou sobretudo em nichos, através de importadores especializados e retalhistas independentes. Mais recentemente, a categoria atraiu maior atenção comercial, incluindo de grupos de restauração, compradores do setor da hotelaria e distribuidores vocacionados para a exportação. As feiras profissionais tornaram-se um dos principais espaços para estabelecer estas relações.
O momento escolhido para a parceria também merece destaque. Os produtores de vinho de toda a Europa enfrentam a pressão do aumento dos custos, dos riscos climáticos, da mudança dos hábitos dos consumidores e de uma concorrência mais forte pelo espaço nas prateleiras. Neste contexto, as feiras centradas em valores de produção claros e em segmentos de mercado distintos podem ajudar as pequenas adegas a destacarem-se. Os organizadores apostam que o alcance conjunto da Slow Wine Fair e da RAW WINE contribuirá para esse objetivo.
A edição de 2027 será a primeira a testar esta fórmula em Itália. Se a colaboração decorrer como previsto, poderá reforçar a posição de Bolonha no calendário internacional dos vinhos naturais, biológicos e biodinâmicos e dar aos produtores acesso a um público mais vasto de compradores que já participam na feira para reuniões de negócios, provas e prospeção de produtos.