Trump promete levantar a tarifa de 10% sobre o whiskey irlandês
A medida devolveria o acesso isento de direitos aduaneiros a uma importante exportação irlandesa, mas ainda não foi publicada qualquer ordem legal nem uma data de início.
quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Os Estados Unidos prometeram eliminar a tarifa de 10% sobre o whiskey irlandês, uma medida que restabeleceria o acesso isento de direitos aduaneiros a uma das maiores exportações irlandesas de bebidas, embora ainda não tenha sido publicada qualquer ordem legal nem uma data de entrada em vigor.
O presidente Donald Trump fez o anúncio durante a sua visita à Irlanda, dizendo que a tarifa sobre o whiskey irlandês seria eliminada. Segundo uma reportagem publicada pelo The Irish Times, Trump afirmou que a questão lhe tinha sido colocada pelo Taoiseach Micheál Martin e pelo golfista Shane Lowry, e declarou que, «em nome dos Estados Unidos da América», estava a retirar as tarifas ao whiskey irlandês.
A declaração foi saudada pela Irish Whiskey Association, que integra a Drinks Ireland, a qual afirmou que a mudança ajudaria um importante fluxo comercial transatlântico que apoia o emprego e o investimento em ambos os lados. Numa declaração publicada na segunda-feira, o diretor do grupo, Eoin Ó Catháin, disse que as exportações de whiskey irlandês para os Estados Unidos valeram €450 milhões em 2025 e que os destiladores irlandeses compraram barris de whiskey americano no valor de €80 milhões no mesmo período.
A alteração proposta reduziria a tarifa sobre o whiskey produzido na República da Irlanda de 10% para 0%. Antes de julho, a tarifa era de 15%, mas foi reduzida para 10% no âmbito de uma revisão que afetou os vinhos e as bebidas espirituosas da União Europeia que entram no mercado norte-americano. Se a mais recente promessa for cumprida, a descida total face à taxa anterior a julho será de 15 pontos percentuais.
O anúncio é relevante porque o whiskey irlandês produzido na República tem enfrentado uma desvantagem face ao whiskey produzido na Irlanda do Norte e noutros locais do Reino Unido, que já entra nos EUA sem essa tarifa. A eliminação do direito aduaneiro sobre o whiskey produzido na República acabaria com essa diferença de tratamento num dos mercados de exportação mais importantes da categoria.
Representantes do setor descreveram os EUA como centrais para o crescimento do setor. A Irish Whiskey Association afirmou que o regresso ao comércio sem tarifas reforçaria uma relação comercial já estabelecida, na qual a Irlanda exporta whiskey acabado e também compra grandes volumes de barris americanos usados, necessários para a maturação. Esses barris, muitas vezes provenientes de produtores de bourbon, são uma parte padrão da produção de whiskey irlandês e ligam as duas indústrias para além das simples vendas de exportação.
A Casa Branca ainda não tinha, até segunda-feira, divulgado o instrumento legal necessário para concretizar a mudança, e não foi anunciada qualquer data de entrada em vigor. Isso deixa em aberto quando importadores e destiladores verão de facto a taxa mais baixa aplicada na fronteira. Também deixa por esclarecer como a medida será administrada e se serão necessárias outras medidas comerciais entre Washington e Bruxelas.
Trump indicou que a mudança se aplicaria apenas ao whiskey irlandês, e não a outros produtos europeus. Questionado sobre se a redução da tarifa seria alargada à União Europeia em geral, respondeu: «Só a Irlanda», segundo o The Irish Times. Essa distinção é importante porque a tarifa norte-americana de 10% continua em vigor para outras bebidas espirituosas da UE. Significa também que o anúncio não parece abranger outras categorias de bebidas irlandesas, como gin, licores de creme, poitín e outras bebidas espirituosas, que continuam sujeitas à taxa de 10% até que seja feita uma alteração mais ampla.
Essa abordagem mais restrita pode também levantar questões políticas e comerciais. O whiskey irlandês da República faz parte do comércio da UE, enquanto o whiskey da Irlanda do Norte integra o sistema do Reino Unido e não foi sujeito à mesma tarifa norte-americana. Uma exceção tarifária para um produto de origem UE, mas não para outros, poderá suscitar escrutínio quando, e se, a administração publicar os detalhes formais.
As autoridades irlandesas saudaram a promessa. O The Irish Times noticiou que o ministro das Empresas, Peter Burke, considerou os Estados Unidos um mercado vital para os destiladores irlandeses, enquanto o ministro das Finanças, Simon Harris, disse que o anúncio refletia a importância da relação económica entre a Irlanda e os EUA. As suas declarações surgiram no momento em que o setor defendia um regresso mais alargado ao que chama de acordo «zero por zero» no comércio de bebidas, ou seja, sem tarifas de ambos os lados para toda a categoria, e não apenas para um produto.
Esse objetivo mais amplo continua por resolver. Na sua declaração, a Irish Whiskey Association afirmou que continuaria a trabalhar com homólogos da UE e dos EUA para garantir comércio isento de tarifas para todas as exportações de bebidas. O grupo agradeceu aos responsáveis e defensores em Dublin, Bruxelas, Washington e noutros locais, deixando também claro que quer agora ver o anúncio plenamente implementado.
O timing do compromisso segue um período de política tarifária em mudança. As bebidas espirituosas da UE que entram nos Estados Unidos estavam sujeitas a uma tarifa de 15% antes de a taxa ter sido reduzida para 10% em julho. Ao mesmo tempo, as tensões comerciais entre Washington e Bruxelas tinham suscitado preocupação no setor das bebidas em ambos os lados do Atlântico. No início de 2025, a Comissão Europeia tinha anunciado planos para tarifas de 50% sobre alguns produtos norte-americanos, incluindo whiskey bourbon, antes de esses planos terem sido posteriormente abandonados após negociações.
Para os produtores de whiskey irlandês, o mercado dos EUA é especialmente importante porque combina dimensão, preços premium e uma base de consumidores consolidada. O valor de exportação de €450 milhões citado pela Irish Whiskey Association refere-se a 2025 e não a uma atualização mais recente de 2026, mas sublinha por que motivo a questão tarifária tem sido acompanhada de perto por destiladores, distribuidores e pelo governo irlandês.
Até a administração emitir documentação formal, o anúncio continua a ser uma promessa presidencial e não uma alteração tarifária já em vigor. Importadores, exportadores e especialistas aduaneiros estarão atentos aos termos finais, incluindo a data de entrada em vigor, as definições de produto abrangidas e se a isenção se limita estritamente ao whiskey irlandês da República ou inclui quaisquer classificações relacionadas ao abrigo das regras tarifárias dos EUA.