Vendas de bebidas em França caíram 1,9% no verão, com quebra de 6,0% no vinho
A Lightspeed indicou que os volumes também recuaram 1,7% em França, sinalizando uma procura mais fraca em cafés, hotéis e restaurantes do que nos mercados vizinhos
quarta-feira, 28 de outubro de 2026

As vendas de bebidas em cafés, hotéis e restaurantes franceses caíram durante o verão, com o vinho a registar a quebra mais acentuada, num sinal de menor afluência e de um consumo mais fraco no canal da restauração.
Os dados são da Lightspeed, uma plataforma de comércio utilizada por empresas do setor da hotelaria em toda a Europa. No seu estudo anual sobre as bebidas no verão, publicado esta semana, a empresa afirmou que os dados de vendas de mais de 5.700 estabelecimentos em França, Bélgica, Alemanha, Países Baixos e Reino Unido mostram que a receita de bebidas em França recuou 1,9% em julho e agosto, face ao mesmo período de 2025.
A quebra em França foi mais acentuada do que na maioria dos outros mercados abrangidos pelo estudo. Segundo a Lightspeed, a Bélgica registou um aumento de 0,5% no valor das vendas de bebidas no mesmo período, a Alemanha recuou 0,1%, os Países Baixos cresceram 0,1% e o Reino Unido avançou 1,3%.
Em França, a descida não se limitou à receita. Os volumes vendidos também diminuíram, 1,7% face ao verão de 2025. Isto aponta para um abrandamento efetivo das compras, e não apenas para uma alteração causada pelos preços ou pela composição dos produtos vendidos.
A Lightspeed afirmou que o estudo comparou os verões de 2024, 2025 e 2026. Os dados da empresa abrangem negócios que utilizam as suas ferramentas de comércio, oferecendo uma visão do consumo no local no setor da hotelaria, um canal de vendas fundamental para muitos produtores e distribuidores de bebidas.
No mercado francês, os dados revelam diferenças entre categorias. O valor das vendas de bebidas espirituosas subiu 5,1% em julho e agosto, tornando esta categoria uma das que registaram melhor desempenho. A tequila foi o principal motor, com um aumento de 27,1% no valor das vendas, enquanto a vodka cresceu 13,9%. O gin evoluiu em sentido contrário, com uma descida de 7,9%.
As bebidas sem álcool também avançaram. A Lightspeed registou um aumento de 3,4% no valor das vendas de bebidas sem álcool em França durante o verão. Isto sugere que os consumidores continuaram a gastar nesta categoria, apesar do abrandamento do mercado de bebidas em geral.
O vinho teve o pior desempenho entre as principais categorias acompanhadas no mercado francês. O valor das vendas caiu 6,0%, enquanto os volumes diminuíram 8,3%. Segundo a Lightspeed, o vinho foi a categoria sob maior pressão durante o verão, com o vinho tinto a pesar fortemente nos resultados. As vendas de vinho tinto recuaram 11,0%.
Os dados reforçam os sinais de dificuldades no setor da hotelaria em França, após um verão complicado para parte do setor. Como os cafés, bares e restaurantes continuam a ser um canal de venda importante para vinho, cerveja, bebidas espirituosas e refrigerantes, esta tendência tem implicações que vão muito além dos estabelecimentos individuais. Um abrandamento prolongado neste canal poderá aumentar a pressão sobre adegas, fornecedores de bebidas e grossistas, já confrontados com padrões de procura em mudança e consumidores mais comedidos nos gastos.
A análise por categorias sugere também que a fragilidade não foi uniforme em todo o setor das bebidas. Os consumidores pareceram mais dispostos a gastar em algumas bebidas espirituosas e em opções sem álcool, enquanto o vinho perdeu terreno tanto em valor como no número de bebidas vendidas. Para os produtores de vinho, sobretudo os que dependem das vendas a restaurantes e bares, este é um sinal mais preocupante do que uma simples quebra de receita, pois aponta para menos compras e não apenas para preços mais baixos.
O contraste dentro da categoria das bebidas espirituosas também foi assinalável. A tequila e a vodka registaram fortes ganhos, enquanto o gin recuou, indicando que as preferências dos consumidores estão a mudar dentro da mesma categoria geral. Num mercado em que as vendas de bebidas estão sob pressão, estas mudanças podem influenciar as decisões de compra dos operadores e alterar o espaço nas prateleiras, as cartas de bebidas e as prioridades dos distribuidores.
A comparação internacional do estudo mostrou que França não foi o único país a enfrentar um verão difícil, mas teve um desempenho inferior ao de vários mercados vizinhos. A Alemanha manteve-se praticamente estável, enquanto a Bélgica, os Países Baixos e, sobretudo, o Reino Unido registaram aumentos modestos no valor das vendas de bebidas. Isso torna a quebra em França mais significativa para os fornecedores com forte presença no setor da hotelaria do país.
A Lightspeed não apresentou os resultados como uma medição completa de todos os estabelecimentos de cada mercado, mas a dimensão da amostra oferece uma visão abrangente do comportamento dos consumidores numa parte significativa do setor da hotelaria europeu. Em França, a combinação de uma descida de 1,9% no valor das vendas e de 1,7% nos volumes sugere que muitos operadores enfrentaram uma menor procura de bebidas durante o pico da época de verão.
Para os proprietários de restaurantes e os responsáveis por bares, as vendas de bebidas são muitas vezes uma importante fonte de margem. Um verão mais fraco pode, por isso, ter efeitos que vão além das bebidas, sobretudo quando a quebra se concentra em categorias como o vinho, que tradicionalmente ocupa um lugar central na hotelaria francesa. Para os produtores e distribuidores, os dados poderão também influenciar decisões sobre preços, afetação de stocks e foco nos produtos, à entrada do próximo ciclo sazonal.