A Pernod Ricard contrata quatro bancos para uma possível oferta pública inicial (IPO) na Índia no valor de mil milhões de dólares
O grupo de bebidas espirituosas afirmou que a análise continua a ser de caráter exploratório, não tendo sido definido o volume da participação, a avaliação nem a estrutura final do negócio.
terça-feira, 8 de setembro de 2026

A Pernod Ricard contratou pelo menos quatro bancos de investimento para uma possível oferta pública inicial (OPI) das suas atividades na Índia, que poderá angariar mais de mil milhões de dólares em 2027, de acordo com fontes a par do assunto e com uma reportagem publicada pela Moneycontrol.
Os bancos a trabalhar neste potencial negócio são o Kotak Mahindra Capital, o Goldman Sachs, o JPMorgan e a BofA Securities, segundo a reportagem, que cita fontes anónimas. As fontes afirmaram que o processo ainda se encontra numa fase inicial e que poderão vir a ser adicionados mais bancos posteriormente.
O grupo francês de bebidas espirituosas afirmou que a análise continua a ser exploratória e que não há certeza de que a OPI venha a avançar. A empresa ainda não definiu uma estrutura definitiva para a oferta, nem o volume da participação a ser vendida, a avaliação ou o montante total a angariar, de acordo com o relatório. Os detalhes bancários provêm igualmente de fontes anónimas e não foram confirmados publicamente pelos credores.
Se concretizada, a oferta proporcionaria aos investidores um ponto de referência de avaliação para uma das maiores empresas de bebidas espirituosas de capital estrangeiro na Índia. Salientaria também a crescente importância da Índia para a Pernod Ricard, cujas operações locais se tornaram o segundo maior mercado da empresa em termos de vendas.
A Pernod Ricard Índia comercializa uma vasta gama de marcas que abrange uísque, vodka, gin, conhaque e outras bebidas espirituosas. O seu portfólio inclui Chivas Regal, Jameson e Absolut, bem como marcas indianas como a Royal Stag e a Imperial Blue. A Moneycontrol informou que a Royal Stag foi a marca de uísque mais vendida do mundo em 2025.
A possível entrada na bolsa surge após um período de crescimento constante na Índia. A Pernod Ricard Índia registou vendas consolidadas de 274,45 mil milhões de rúpias no ano fiscal de 2025. A unidade opera 24 instalações de produção e emprega 1 593 pessoas, de acordo com os números citados no relatório.
No ano fiscal de 2026, as vendas na Índia aumentaram 7%, ou 9% excluindo a Imperial Blue, segundo o relatório. Esses números são dados de desempenho corporativo do ano fiscal anterior e não uma atualização diária do mercado, mas ajudam a explicar por que razão a empresa está a estudar uma transação no mercado público para o negócio local.
Um negócio superior a mil milhões de dólares situar-se-ia entre as maiores ofertas de ações do setor de consumo ligadas ao mercado interno da Índia. Surgiu também num momento em que as empresas globais estão a olhar mais atentamente para a Índia como fonte de crescimento, impulsionadas por uma vasta base de consumidores, rendimentos crescentes e a expansão contínua nas categorias de bebidas alcoólicas premium.
Para a Pernod Ricard, uma oferta pública inicial (IPO) poderia servir a vários objetivos ao mesmo tempo. Poderia angariar capital, proporcionar uma avaliação de mercado local para o negócio indiano e alargar o perfil da empresa junto dos investidores nacionais. Poderia também ajudar o grupo a destacar a dimensão das suas operações na Índia, numa altura em que as empresas multinacionais do setor de consumo estão sob pressão para demonstrar de onde virá o crescimento futuro.
O momento certo, no entanto, permanece incerto. As condições de mercado em 2027, a procura dos investidores por ofertas no setor de consumo e as próprias prioridades estratégicas da empresa poderão afetar se a operação avançará e de que forma. As fontes citadas pela Moneycontrol afirmaram que ainda não foi tomada nenhuma decisão final.
A Pernod Ricard não divulgou publicamente uma avaliação-alvo para a unidade indiana. Sem uma proposta relativa à dimensão da participação ou a uma faixa de preços, não é possível estimar a capitalização bolsista global que a empresa poderá procurar obter num IPO. Os banqueiros envolvidos em mandatos numa fase inicial trabalham frequentemente primeiro na estrutura, no planeamento regulatório e no posicionamento dos investidores antes de uma empresa decidir se deve avançar.
O mercado de bebidas alcoólicas da Índia é vasto, mas complexo, com regras a nível estadual relativas à distribuição, impostos, preços e publicidade. Esses fatores podem afetar a rentabilidade e o crescimento de forma diferente consoante as regiões. Ainda assim, os fabricantes internacionais de bebidas espirituosas têm continuado a investir no país devido à sua dimensão e ao facto de as categorias premium e de prestígio se terem expandido mais rapidamente do que alguns segmentos do mercado de massa.
A Pernod Ricard tem sido, há anos, um dos maiores intervenientes estrangeiros nesse mercado. A sua atividade na Índia abrange a produção, o engarrafamento, a distribuição e a gestão da marca numa ampla área geográfica. Os 24 centros de produção citados no relatório demonstram a extensão dessa presença local, enquanto o quadro de 1 593 colaboradores sublinha que a unidade não é um pequeno posto avançado de exportação, mas sim uma grande empresa em pleno funcionamento.
Qualquer oferta pública atrairia, muito provavelmente, grande atenção por parte de investidores que procuram expor-se à procura dos consumidores indianos através de um detentor de marcas globais com um forte portfólio local. Poderia também servir de referência para outras empresas multinacionais que estejam a ponderar se devem cotar as suas unidades locais na Índia, em vez de as manterem totalmente privadas.
A Moneycontrol noticiou a nomeação dos banqueiros a 7 de setembro, citando quatro pessoas a par do assunto. A posição da Pernod Ricard, tal como transmitida no relatório, foi que a análise ainda se encontra numa fase exploratória e que não há garantias de que venha a ocorrer qualquer transação.