As vendas de vinho italiano para o Brasil aumentaram 13,7 %, atingindo os 14,1 milhões de dólares no início de 2026
O aumento registado entre janeiro e abril prolongou uma tendência de subida, observada ao longo de vários anos, no valor das exportações, que superou o crescimento dos volumes de expedição até 2025.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026

As vendas de vinho italiano para o Brasil aumentaram 13,7% nos primeiros quatro meses de 2026, atingindo 14,1 milhões de dólares, de acordo com dados da agência de promoção comercial ICE-ITA citados pela Agipress, na véspera de uma nova digressão de marketing no país. Com base nessa taxa de crescimento, o valor correspondente do ano anterior situava-se em cerca de 12,4 milhões de dólares, o que implica um aumento de aproximadamente 1,7 milhões de dólares.
Os números foram destacados em material relacionado com a «I Love Italian Wines 2026», uma digressão promocional da ICE-ITA agendada para 11 a 18 de setembro, em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. A Agipress divulgou os dados a 5 de setembro, com base em documentação do ICE-ITA datada de 1 de julho e em estatísticas comerciais do governo brasileiro citadas pela agência.
Este novo valor referente a quatro meses vem somar-se a uma tendência geral de crescimento nas exportações de vinho italiano para o Brasil ao longo dos últimos três anos. O ICE-ITA indicou que o valor anual das exportações subiu de 38,3 milhões de dólares em 2023 para 43,2 milhões de dólares em 2024, um aumento de 12,8%, e depois para 49,2 milhões de dólares em 2025, mais um aumento de 13,9%. De 2023 a 2025, isso representou um crescimento acumulado de 28,5% em valor.
O crescimento em volume foi muito mais fraco durante o mesmo período. As exportações de vinho italiano para o Brasil totalizaram 9,86 milhões de litros em 2023, aumentaram para 10,87 milhões de litros em 2024 e, posteriormente, registaram uma ligeira descida para 10,80 milhões de litros em 2025. Enquanto o valor das exportações subiu de forma constante, os volumes mantiveram-se, em geral, estáveis. Essa diferença fez com que o valor médio por litro aumentasse, passando de 3,89 dólares americanos em 2023 para 4,56 dólares americanos em 2025.
A ICE-ITA afirmou que este padrão aponta para uma melhoria gradual do posicionamento de mercado do vinho italiano no Brasil, com as vendas a orientarem-se para produtos de preço mais elevado, em vez de serem impulsionadas principalmente por volumes mais elevados. A agência coloca a Itália em quinto lugar entre os fornecedores estrangeiros de vinho do Brasil em termos de valor e em quarto lugar em termos de volume. Referiu ainda que o preço médio da Itália situa-se entre a França, cujo vinho atingiu 9,27 dólares por litro, e os produtores sul-americanos de preços mais baixos.
Estes dados são relevantes porque o Brasil se tornou um dos mercados que os exportadores estão a acompanhar mais de perto, à medida que o crescimento abranda em alguns destinos maduros do vinho. Os números anuais sugerem que os produtores italianos têm conseguido aumentar o valor das suas vendas no Brasil mais rapidamente do que a quantidade física expedida, o que pode ser um sinal de preços mais elevados, de um mix de produtos mais diversificado ou de uma mudança para categorias premium.
Ao mesmo tempo, a atualização relativa ao primeiro trimestre e parte de 2026 é limitada. A ICE-ITA e a Agipress forneceram apenas o valor das exportações de janeiro a abril, e não o volume. Isso significa que o mais recente aumento de 13,7% não pode ser desagregado entre variações no volume de litros vendidos, variações nos preços médios, gama de produtos ou efeitos da taxa de câmbio em termos de dólares. O valor de 2026 mostra a tendência do comércio, mas não a origem exata do aumento.
O mercado vinícola brasileiro tem vindo a expandir-se e a evoluir de formas que ajudam a explicar o interesse dos produtores italianos. A ICE-ITA, citando dados da Euromonitor, afirmou que o consumo de vinho no Brasil atingiu 348,8 milhões de litros em 2024, um aumento de 17% em relação aos níveis pré-pandémicos de 2019. A agência referiu ainda que os segmentos premium e superpremium representam agora 29% do valor total do mercado.
Segundo a ICE-ITA, os consumidores brasileiros também estão a demonstrar maior interesse por vinhos brancos, espumantes, rosés, rótulos biológicos e vinhos associados a castas autóctones. Estas tendências são relevantes para os exportadores italianos, uma vez que a Itália dispõe de uma vasta gama de produtos nessas categorias, incluindo vinhos espumantes e rótulos regionais que podem ser comercializados com base na origem e no estilo, bem como no preço.
A digressão prevista para meados de setembro faz parte desse esforço. A ICE-ITA está a utilizar o evento para promover o vinho italiano diretamente em quatro grandes cidades brasileiras, numa altura em que o mercado parece estar a valorizar as ofertas de maior valor. A apresentação dos dados comerciais pela agência, a par do evento, sugere que a Itália encara o Brasil como mais do que um mercado de grande volume. Os números recentes apontam para um mercado em que o vinho italiano está a ganhar terreno em termos de valor e onde a procura dos consumidores poderá estar a mudar para produtos mais caros e diferenciados.
Por enquanto, a evidência mais clara está na tendência anual de 2023 a 2025. O valor das exportações aumentou quase 11 milhões de dólares americanos nesse período, enquanto o volume cresceu menos de 1 milhão de litros. Os primeiros quatro meses de 2026 prolongam esse crescimento em valor, mesmo que a combinação subjacente de preço e volume para este ano ainda não possa ser avaliada a partir dos números publicados.
O Brasil continua a ser um destino relativamente modesto para o vinho italiano em comparação com os maiores mercados globais, mas os dados mais recentes mostram que se tornou uma fonte de crescimento mais forte. O aumento de 13,7% registado entre janeiro e abril e a subida constante do valor anual das exportações nos dois anos anteriores indicam que os fornecedores italianos estão a vender mais ao Brasil em termos de dólares, e a fazê-lo num mercado onde as categorias de vinhos de gama alta estão a conquistar uma quota maior das despesas dos consumidores.