Embarques mundiais de vinho caíram acentuadamente no primeiro semestre de 2026

O valor das exportações recuou menos do que os volumes, à medida que os preços médios recuperaram da quebra do final de 2025 ligada às tarifas norte-americanas.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

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O comércio internacional de vinho enfraqueceu no primeiro semestre de 2026 face aos seis meses anteriores, com os embarques a recuarem mais em volume do que em valor, segundo uma apresentação da Del Rey AWM na reunião de outono do EU Wine Observatory.

A análise de mercado aponta para um sector que continua sob pressão, mas que já não mostra a mesma deterioração de preços observada no final do ano passado. A Del Rey AWM disse que os preços médios recuperaram no primeiro semestre, atenuando o efeito de menores volumes expedidos nas receitas de exportação e sugerindo um ambiente comercial mais estável do que o que se seguiu ao choque tarifário nos Estados Unidos no segundo semestre de 2025.

A empresa afirmou que grande parte da descida de preços no final de 2025 esteve ligada à reação do mercado ao aumento das tarifas norte-americanas, tendo França estado entre os países mais afetados. No primeiro semestre de 2026, essa pressão sobre os preços parece ter abrandado. O resultado, segundo a apresentação, foi um desempenho comercial que se manteve globalmente negativo, mas menos severo em termos de valor do que em volumes físicos.

Os primeiros seis meses do ano foram marcados por menores embarques de vinho a granel e por uma quebra de receitas nesse segmento. A Del Rey AWM atribuiu essa alteração, em parte, a colheitas mais curtas na maioria dos países produtores. Com menos vinho disponível, as exportações de produto a granel ficaram sob pressão. Ao mesmo tempo, preços mais altos e uma procura mais fraca agravaram a desaceleração, limitando a atividade de compra em vários dos principais corredores comerciais.

O efeito foi visível na União Europeia, onde o comércio intra-UE de vinho foi afetado pela mesma combinação de oferta mais apertada, subida de preços e procura mais fraca. A apresentação identificou também as exportações do Canadá para os Estados Unidos como uma área de fraqueza. Os fornecedores de longa distância também foram atingidos, incluindo Chile e Nova Zelândia, cujos embarques para os principais mercados de importação recuaram durante o semestre.

O padrão do primeiro semestre sugere que o mercado mundial do vinho continua a ajustar-se após um período volátil que combinou choques de política comercial com restrições do lado da oferta. No final de 2025, produtores e exportadores tiveram de reagir não só às alterações tarifárias nos Estados Unidos, mas também às correções de preços que se seguiram. No início de 2026, esses ajustamentos parecem ter entrado numa fase mais estável, embora o contexto geral permanecesse difícil.

A apresentação da Del Rey AWM estabeleceu uma distinção clara entre categorias de vinho. Os vinhos tranquilos engarrafados registaram uma quebra mais acentuada do que os espumantes no primeiro semestre. Já o espumante conseguiu registar algum crescimento em termos de valor, apoiado pela recuperação dos preços médios. Isso significa que o segmento conseguiu gerar mais receitas mesmo sem a mesma força em volumes expedidos observada em períodos de mercado mais robustos.

O melhor desempenho do vinho espumante dá continuidade a uma tendência mais longa identificada pela empresa. Ao longo do tempo, os espumantes têm superado outras categorias de vinho no comércio internacional, segundo a apresentação. Esse padrão tornou-se mais relevante à medida que os produtores de vinho tranquilo enfrentam uma procura mais fraca e maior pressão sobre os volumes nos principais destinos.

O contraste entre categorias é importante porque evidencia uma mudança na forma como consumidores e importadores estão a responder a preços mais altos e a uma oferta mais apertada. Quando a procura global abranda, os produtos com identidade de marca mais forte ou posicionamento mais resiliente conseguem preservar melhor o valor do que as categorias mais alargadas de vinho tranquilo. A Del Rey AWM não forneceu dados detalhados por país no resumo divulgado da reunião, mas os seus comentários indicam que a composição por categoria está a assumir um papel mais relevante no desempenho comercial.

Os dados do primeiro semestre apontam também para uma fraqueza continuada no vinho a granel, que está geralmente mais exposto a oscilações no tamanho das colheitas, nos níveis de stock e na concorrência de preços. Quando os países produtores enfrentam colheitas mais curtas, a disponibilidade de vinho a granel tende a apertar rapidamente. Isso pode fazer subir os preços, mas também pode reduzir os volumes transacionados e baixar o movimento total nos canais de exportação. Num mercado em que a procura já está a enfraquecer, essa combinação pode gerar menores volumes sem um aumento correspondente nas receitas.

Para os exportadores europeus, a apresentação sugere que o ambiente comercial se tornou menos instável do que no final do ano passado, mas ainda não é suficientemente forte para sustentar uma recuperação generalizada. Para os fornecedores fora da Europa, especialmente os que enviam para destinos mais distantes, a pressão da procura mais fraca parece ser reforçada pela exposição aos custos de frete e por uma maior seletividade nas compras nos mercados de destino.

As exportações canadianas mais fracas para o mercado norte-americano enquadram-se no mesmo padrão. Os Estados Unidos continuam a ser um dos destinos de vinho mais importantes do mundo, e alterações nas tarifas, nos preços e na procura dos consumidores podem afetar rapidamente os países fornecedores. A avaliação da Del Rey AWM indica que esses efeitos ainda eram visíveis no primeiro semestre de 2026, mesmo quando os preços começaram a recuperar da perturbação anterior.

A apresentação enquadrou 2026 como um ano de estabilização, em vez de um ano de forte recuperação. Isso reflete um comércio internacional de vinho que continua a contrair-se em algumas áreas, mas que já não regista a mesma quebra generalizada de preços que marcou o segundo semestre de 2025. Em termos práticos, o sector está a lidar com menos vinho para expedir, preços mais firmes e compradores mais cautelosos do que antes.

Essas condições estão a produzir um mercado desigual. O vinho espumante está a mostrar maior resiliência. O vinho tranquilo engarrafado está sob mais pressão. O vinho a granel está a ser condicionado por colheitas mais curtas e por uma procura mais fraca. O comércio dentro da Europa abrandou, e os exportadores da América do Norte, América do Sul e Oceânia também estão a sentir o impacto nos seus embarques para os principais mercados. A leitura do primeiro semestre feita pela Del Rey AWM sugere que o sector se afastou da fase mais aguda da perturbação dos preços, mas ainda não entrou num período de crescimento sustentado.

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