As vendas de cerveja na Alemanha caíram 85 milhões de litros no primeiro semestre de 2026.
A quebra de 2,2% prolongou uma descida de vários anos numa indústria tradicional confrontada com encerramentos e menor receita.
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O mercado cervejeiro alemão continuou a encolher no primeiro semestre de 2026, com as vendas a caírem 85 milhões de litros face ao ano anterior, uma quebra de 2,2% que se soma a um declínio prolongado numa das indústrias mais tradicionais do país.
Os números, divulgados pela Table.Briefings em 19 de setembro e atribuídos a dados da Associação Alemã de Cervejeiros, mostram que a pressão sobre os produtores de cerveja continua este ano, após vários anos de procura mais fraca, menor receita e encerramento de cervejarias. O relatório referiu que as vendas de cerveja de janeiro a junho voltaram a ficar abaixo do nível do mesmo período do ano anterior, mas não indicou o volume total vendido no primeiro semestre em termos absolutos.
A quebra nas vendas enquadra-se num padrão mais amplo nos hábitos de consumo na Alemanha. O consumo de cerveja per capita fixou-se em 84 litros em 2025, abaixo dos 91 litros registados em 2019. Isso representa uma queda de 7 litros, ou 7,7%, em seis anos. Face ao pico de 151 litros por pessoa registado em 1976, o consumo recuou 67 litros, uma diminuição de 44,4%.
A alteração também afetou o rendimento dos produtores. Segundo os números citados pela Table.Briefings, as cervejeiras alemãs obtiveram cerca de 8,7 mil milhões de euros em 2025, face a pouco mais de 9 mil milhões de euros em 2024. Isso significa que a receita caiu mais de 300 milhões de euros num ano, embora o valor anterior não tenha sido indicado com precisão na fonte.
A contração não afeta todos os segmentos da mesma forma. A cerveja sem álcool foi descrita como a principal área de crescimento. A produção nessa categoria aumentou 6,5% em 2025 para mais de 616 milhões de litros. Com base nos valores arredondados do relatório, isso sugere um aumento de cerca de 38 milhões de litros face a cerca de 578 milhões de litros um ano antes. Embora esse cálculo seja aproximado, aponta para uma das poucas partes do mercado que ainda está a crescer enquanto a procura global de cerveja enfraquece.
A divergência entre a cerveja tradicional e os produtos sem álcool está a tornar-se mais importante para as cervejeiras que tentam ajustar-se ao menor consumo. O relatório descreve um setor em mudança estrutural, e não apenas uma quebra temporária. Cerca de 140 cervejeiras fecharam na Alemanha nos últimos seis anos, segundo os números citados. Esse ritmo de encerramentos indica que muitos produtores, especialmente os mais pequenos, tiveram dificuldades em absorver a procura mais fraca, o aumento dos custos ou a capacidade não utilizada.
Algumas das cervejeiras que permanecem em funcionamento estão a tentar preencher linhas de produção ociosas através da produção de cerveja por contrato para marcas estrangeiras, refere o relatório. Essa prática reflete a quantidade de capacidade excedentária agora presente em partes do setor. Mostra também como as cervejeiras procuram trabalho para além das suas próprias marcas à medida que as vendas internas enfraquecem.
A Alemanha tem sido há muito associada à cerveja como produto nacional e a uma forte componente da sua economia de alimentos e bebidas. Mas os números mais recentes sugerem que a tradição já não basta para proteger o setor da evolução do comportamento dos consumidores. O menor consumo de álcool, as preferências de saúde em mudança e a concorrência de outras bebidas têm sido amplamente apontados nos últimos anos como pressões sobre os produtores de cerveja, e a mais recente quebra nas vendas sugere que essas forças continuam a atuar no mercado.
A perda de 85 milhões de litros no primeiro semestre é significativa não apenas pelo seu volume, mas porque confirma que a tendência descendente se manteve em 2026. A Table.Briefings disse que as vendas mensais têm estado abaixo dos níveis do ano anterior nos últimos dois anos. Esse padrão aponta para um enfraquecimento persistente da procura, e não para um revés curto e isolado.
Os dados de mercado citados no relatório abrangem períodos diferentes, o que torna mais difícil uma comparação completa, ano a ano, entre todas as métricas. A quebra de 2,2% refere-se às vendas de cerveja entre janeiro e junho de 2026. Os números de consumo, receita e produção de cerveja sem álcool referem-se a 2025, enquanto a contagem de encerramentos de cervejeiras cobre os últimos seis anos. O relatório também observou que não identificou a data de atualização de cada série de dados principal. Mesmo com essas limitações, a direção é clara em todos os indicadores: vende-se e consome-se menos cerveja, as cervejeiras estão a obter menos dinheiro e mais empresas estão a desaparecer do mercado.
O segmento sem álcool destaca-se como a exceção. O seu crescimento sugere que as cervejeiras poderão compensar parte do declínio da cerveja convencional através da expansão das ofertas sem álcool. Mas o aumento nessa categoria continua a ser pequeno face à queda de longo prazo do consumo global de cerveja. A ingestão de cerveja per capita na Alemanha caiu acentuadamente face aos níveis registados há décadas, e os mais recentes números de vendas semestrais mostram que o setor ainda não encontrou uma viragem mais ampla.
Os dados da Associação Alemã de Cervejeiros, tal como citados pela Table.Briefings, apresentam um setor que continua a encolher no seu negócio tradicional de base, ao mesmo tempo que tenta adaptar-se através de novos produtos, consolidação e fabrico por contrato. Para as cervejeiras que sobreviveram aos últimos seis anos, o desafio agora não é apenas gerir uma procura mais fraca, mas também decidir quanto do seu futuro dependerá de estilos de cerveja e modelos de negócio que parecem diferentes dos que construíram o setor.