Deputada francesa propõe avisos de saúde em bebidas alcoólicas com teor superior a 17,9%

A alteração à proposta de lei da Segurança Social francesa para 2027 prevê uma multa de 2% do volume de negócios anual no país

sábado, 17 de outubro de 2026

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Deputada francesa propõe avisos de saúde em bebidas alcoólicas com teor superior a 17,9%

Uma deputada francesa apresentou uma alteração à proposta de lei de financiamento da Segurança Social do país para 2027 que obrigaria a incluir avisos de saúde nas bebidas alcoólicas com um teor superior a 17,9% vol. e aplicaria uma contribuição de 2% às empresas que não cumprissem as regras.

A alteração foi apresentada a 16 de outubro por Sandrine Runel, segundo o texto publicado pela Pappers Politique. A proposta acrescentaria uma nova disposição ao artigo L. 3322-2 do Código da Saúde Pública francês, exigindo que todas as unidades de embalagem de bebidas acima desse limiar de teor alcoólico incluíssem uma mensagem de saúde a indicar que o álcool é perigoso para a saúde. As regras exatas de apresentação seriam definidas posteriormente por despacho do ministro da Saúde, caso a medida fosse aprovada.

A proposta prevê também uma penalização financeira para os produtores ou outras empresas que coloquem no mercado produtos sem o aviso obrigatório. Nos termos da alteração, essas empresas teriam de pagar uma contribuição equivalente a 2% do volume de negócios anual antes de impostos realizado em França, com base no último exercício financeiro encerrado e calculada sobre todos os produtos e serviços. O texto estabelece que a contribuição seria cobrada e fiscalizada pelos organismos de cobrança da Segurança Social previstos na legislação francesa, segundo as mesmas regras e sanções aplicáveis às contribuições para a Segurança Social. A receita reverteria para o fundo nacional de seguro de saúde francês.

Na nota justificativa, a alteração refere que pretende tornar obrigatória a advertência «O álcool é perigoso para a saúde» em todos os recipientes de bebidas alcoólicas com um teor alcoólico igual ou superior a 18%. A formulação jurídica do artigo proposto refere-se a bebidas com «mais de 17,9% vol.», o que corresponde, na prática, ao mesmo limiar, embora use uma formulação ligeiramente diferente.

A justificação da medida assenta sobretudo em argumentos de saúde pública. Citando o Instituto Nacional de Saúde e Investigação Médica de França, Inserm, a alteração afirma que qualquer consumo de álcool é prejudicial à saúde e não tem efeitos protetores. Afirma ainda que o álcool é a principal causa de hospitalização em França e uma das três principais causas de morte evitável. Segundo o mesmo texto, o álcool está associado a cerca de 60 doenças, incluindo cancros e doenças cardiovasculares.

A alteração argumenta que as regras de rotulagem em vigor deixam uma lacuna na informação disponibilizada aos consumidores. Refere que, à exceção do aviso já existente dirigido às grávidas, previsto no mesmo artigo do Código da Saúde Pública, muitas bebidas alcoólicas vendidas em França não incluem qualquer mensagem de prevenção. A autora considera essa lacuna mais preocupante no caso das bebidas com maior teor alcoólico, uma vez que estas facilitam o consumo de várias bebidas-padrão numa única ocasião.

A título de exemplo, a nota justificativa refere uma lata de 25 centilitros de uma bebida com 22% identificada como Vody, afirmando que equivale a mais de quatro doses de vodka. O texto acrescenta que este padrão continua a ser comum entre os jovens e indica que 28,3% dos alunos do ensino secundário praticaram consumo episódico excessivo no mês anterior. Defende ainda que algumas destas bebidas recorrem a códigos visuais semelhantes aos dos refrigerantes, o que pode gerar confusão.

A proposta é relevante para o setor das bebidas porque, se for aprovada, poderá criar novas obrigações de rotulagem para destiladores, importadores e vendedores de bebidas prontas a consumir com elevado teor alcoólico, bem como para alguns vinhos generosos e outras bebidas acima do limiar. A cerveja corrente e a maioria dos vinhos de mesa ficariam, em geral, abaixo dos 17,9%, mas as bebidas espirituosas e outros produtos com maior teor alcoólico seriam mais diretamente afetados. A contribuição de 2% prevista na alteração também poderá aumentar os riscos de incumprimento para as empresas que operam em França, dado que será calculada com base no volume de negócios anual realizado no país, e não nas vendas de um único produto não conforme.

Nesta fase, a medida continua a ser uma proposta no âmbito do processo parlamentar associado ao Orçamento da Segurança Social para 2027. Os deputados terão ainda de a analisar e aprovar antes de poder entrar em vigor. Se avançar, poderá juntar França ao grupo de países que ponderam regras de rotulagem do álcool mais rigorosas, numa altura em que as autoridades de saúde e os legisladores defendem avisos mais visíveis para os consumidores em produtos com maior teor alcoólico.

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