A divisão de vinhos e bebidas espirituosas da LVMH cresceu 5% nos primeiros nove meses de 2026

As vendas subiram para 4 mil milhões de euros, invertendo a quebra do ano passado, com a Europa a impulsionar uma recuperação ainda desigual.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

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A divisão de vinhos e bebidas espirituosas da LVMH cresceu 5% nos primeiros nove meses de 2026

A LVMH afirmou que o seu negócio de vinhos e bebidas espirituosas voltou a crescer nos primeiros nove meses de 2026, num sinal de resiliência do mercado de vinhos de gama alta num contexto de tensões geopolíticas e de condições económicas desiguais nas principais regiões.

O grupo francês de luxo registou um crescimento orgânico das receitas de 5% nesta divisão entre janeiro e setembro, com as vendas a subirem para 4 mil milhões de euros, face a 3,9 mil milhões de euros no ano anterior. Só no terceiro trimestre, as receitas orgânicas aumentaram 6% em relação ao mesmo período de 2025, prolongando a melhoria observada pela empresa desde o início do ano, sobretudo na Europa.

O desempenho representa uma inversão face a 2025, ano em que a divisão encerrou com uma quebra de 2,9% em relação a 2024. Os números mais recentes sugerem que a procura de vinhos e bebidas espirituosas premium resistiu melhor nos últimos meses, apesar de a despesa global em artigos de luxo continuar sob pressão em alguns mercados.

No âmbito da divisão, a LVMH afirmou que a Moët & Chandon registou resultados sólidos. A marca manteve também grande visibilidade ao ser, pelo segundo ano consecutivo, o champanhe oficial dos Grandes Prémios de Fórmula 1. No segmento das bebidas espirituosas, a Hennessy registou uma dinâmica sólida, sobretudo na Ásia. Nos Estados Unidos, o negócio beneficiou do lançamento de uma nova linha de cocktails prontos a beber da gama V.S. Os vinhos rosés da Provença também continuaram a apresentar um bom desempenho, segundo a empresa.

A carteira de vinhos e bebidas espirituosas da LVMH inclui alguns dos nomes mais conhecidos do setor, entre eles Moët & Chandon, Krug, Dom Pérignon, Veuve Clicquot, Ruinart, Château d’Yquem, Cheval Blanc, Domaine des Lambrays, Cloudy Bay, Bodega Numanthia, Terrazas de los Andes e Ao Yun.

A atualização surge numa altura em que o setor do luxo continua a enfrentar condições de mercado díspares. A LVMH afirmou que as receitas totais do grupo atingiram 57,1 mil milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026. A empresa acrescentou que o crescimento orgânico das receitas no terceiro trimestre foi afetado por um contexto económico menos favorável na China, que condicionou a atividade comercial nesse mercado. Em contrapartida, os Estados Unidos, a Europa e o Japão registaram todos um bom crescimento.

Para a divisão de vinhos e bebidas espirituosas, a distribuição regional é importante. A Europa parece ser a principal impulsionadora da recuperação recente, enquanto a Ásia contribui para sustentar a Hennessy. O mercado norte-americano, acompanhado de perto pelos produtores de bebidas devido à mudança dos hábitos de consumo e a um contexto de maior prudência na despesa, revelou sinais de apoio através do lançamento de novos produtos, e não de uma aceleração generalizada.

Os resultados destacam-se também porque os produtores de vinhos premium têm enfrentado um contexto difícil que vai além da procura de artigos de luxo. O setor tem tido de lidar com um consumo mais lento em alguns mercados maduros, pressões sobre os canais de distribuição e a persistente incerteza associada ao comércio mundial e ao crescimento económico. Neste contexto, um aumento orgânico de 5% numa das maiores carteiras de bebidas de luxo do mundo deverá ser interpretado pelo mercado como um sinal positivo, embora a recuperação continue desigual entre regiões e categorias.

A LVMH não apresentou o desempenho da divisão como um regresso generalizado a condições mais favoráveis. As declarações sobre a China deixam claro que o grupo continua a identificar fragilidades importantes num dos mercados mais relevantes para os bens de luxo. Ainda assim, os números mais recentes indicam que o negócio de vinhos e bebidas espirituosas recuperou algum dinamismo após a quebra do ano passado, apoiado por marcas consolidadas, inovação seletiva nos produtos e uma procura mais estável na Europa, no Japão e em algumas zonas da América do Norte.

Os números reforçam a importância da dimensão e da força das marcas no segmento de gama alta do mercado mundial de bebidas. Apesar de o mercado mais amplo continuar exposto à incerteza económica, a mais recente atualização de resultados da LVMH mostra que os consumidores continuam a comprar marcas premium em volume suficiente para fazer a divisão regressar ao crescimento.

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