Treasury Wine Estates vende Rosemount de volta à família Oatley
A transação abrange também Ingoldby e Secret Stone, no âmbito dos planos da Treasury para reduzir o portefólio de 76 para 30 marcas.
terça-feira, 13 de outubro de 2026

A Treasury Wine Estates anunciou na segunda-feira que chegou a acordo para vender a marca de vinhos Rosemount, bem como a Ingoldby Wines e a Secret Stone, à família Oatley. A operação devolve a Rosemount à família que fundou a marca, enquanto o produtor australiano continua a reduzir a dimensão do seu portefólio.
A empresa não divulgou os termos financeiros. Indicou que a transação inclui as três marcas e os respetivos inventários. A Treasury Wine Estates continuará a distribuir a Rosemount na Europa durante um período máximo de três anos, enquanto decorre a transição.
A venda integra um esforço de reestruturação mais amplo da Treasury Wine Estates, proprietária de marcas como Penfolds e Matua. Em junho, a empresa anunciou que tencionava reduzir a sua gama de 76 marcas para 30 marcas globais e regionais, no âmbito de mudanças mais abrangentes na atividade. Já vendeu outras marcas, entre as quais Seppelt, Rouge Homme e Tollana.
A Rosemount foi fundada em 1969 por Bob Oatley, na região australiana de Hunter Valley. A marca passou a integrar a Southcorp em 2001. A Southcorp foi vendida ao Foster’s Group em 2005, e a Foster’s separou o negócio dos vinhos em 2011, dando origem à Treasury Wine Estates.
Angus Lilley, diretor-geral das operações da Treasury Wine Estates na Austrália, Nova Zelândia e Europa, afirmou que a empresa trabalharia com os compradores para gerir a transição. «Os Oatley têm uma vasta experiência no setor vitivinícola australiano e estão bem posicionados para conduzir a Rosemount, a Ingoldby e a Secret Stone no futuro», afirmou Lilley, em comunicado. «Trabalharemos em estreita colaboração com eles para garantir uma transição tranquila para os clientes.»
O negócio surge num período de mudança na Treasury Wine Estates. No início deste mês, a empresa eliminou cerca de 170 postos de trabalho, no âmbito do que descreveu como um plano para criar uma organização mais simples e focada. Os despedimentos estão associados à transição para um modelo operacional regional, uma mudança anunciada em abril.
Esta medida surgiu na sequência de um programa de transformação mais amplo, anunciado em dezembro pelo diretor executivo Sam Fischer. Na altura, a Treasury Wine Estates afirmou que o programa incluiria uma revisão dos produtos, reduções de custos e alterações ao modelo operacional da empresa.
A empresa opera agora através de quatro regiões: Américas; Austrália, Nova Zelândia e Europa; Grande China; e Mercados Emergentes. Num encontro com investidores em junho, a Treasury Wine Estates anunciou também o lançamento de uma revisão da sua atividade nas Américas, uma unidade que tem enfrentado dificuldades nos últimos trimestres, sobretudo nos Estados Unidos.
A venda da Rosemount e das outras duas marcas mostra como a Treasury Wine Estates está a afastar-se de um vasto conjunto de marcas e a apostar num grupo mais reduzido, que considera capaz de gerar melhores resultados. No setor do vinho, este tipo de concentração do portefólio pode ter efeitos que vão além de uma só empresa. Pode alterar o controlo de marcas estabelecidas, modificar acordos de distribuição de longa data e criar oportunidades para operadores familiares ou compradores de menor dimensão recuperarem marcas que tinham sido integradas em grandes grupos empresariais.
O regresso da Rosemount à família Oatley é particularmente relevante, pois devolve a marca aos seus proprietários originais após anos sob controlo empresarial. O acordo significa também que a Treasury Wine Estates continuará envolvida numa parte da atividade durante um período limitado, através da distribuição na Europa, mesmo depois da transferência da propriedade.
Este acordo poderá ajudar a garantir a continuidade para importadores, retalhistas e outros clientes na Europa durante a conclusão da transferência. Reflete também os desafios práticos que podem acompanhar as mudanças de propriedade no comércio internacional de bebidas, onde os direitos sobre as marcas, os inventários e as redes de distribuição regionais estão muitas vezes repartidos por vários mercados.
A transação ocorre num momento em que as grandes empresas de vinhos estão a reavaliar os seus portefólios, custos e estruturas geográficas, em resposta à quebra da procura em alguns mercados e à pressão sobre os resultados noutros. A Treasury Wine Estates não indicou quanto espera obter com esta última venda, mas a operação está em linha com a estratégia que delineou este ano para simplificar a atividade e concentrar recursos num número menor de marcas.
Para a família Oatley, a aquisição devolve o controlo de uma marca com uma longa história no setor vitivinícola australiano. Para a Treasury Wine Estates, representa mais um passo num esforço de reestruturação que já incluiu vendas de ativos, despedimentos e uma reformulação da organização da empresa nas principais regiões.