Constellation Brands regista uma quebra de 26% nas vendas de vinhos e bebidas espirituosas no primeiro semestre

A alienação de marcas em 2025 esteve na origem da quebra, apesar de as vendas orgânicas da atividade mantida terem aumentado 12%, afirmou a empresa.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

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Constellation Brands regista uma quebra de 26% nas vendas de vinhos e bebidas espirituosas no primeiro semestre

A Constellation Brands afirmou que as vendas líquidas de vinhos e bebidas espirituosas caíram 26% no primeiro semestre do seu exercício fiscal, apesar de as vendas da atividade que manteve terem crescido em termos orgânicos, excluindo da comparação a alienação recente de marcas.

Nos resultados relativos aos seis meses terminados a 31 de agosto de 2026, a empresa norte-americana de bebidas reportou vendas líquidas de vinhos e bebidas espirituosas de 308,6 milhões de dólares, abaixo do valor registado no período homólogo. A quebra ficou-se a dever, em grande medida, aos ativos que a empresa vendeu em 2025, e não apenas a um enfraquecimento da procura subjacente. Excluindo o efeito dessas alienações, as vendas líquidas orgânicas do segmento de vinhos e bebidas espirituosas aumentaram 12%.

Os resultados mostram como as vendas reportadas no setor das bebidas podem ser influenciadas tanto por alterações na carteira de marcas como pela procura dos consumidores. Apontam também para uma possível pressão a curto prazo sobre os envios em todo o setor do vinho, à medida que os grandes distribuidores reduzem os inventários, um fator que pode afetar os fornecedores mesmo quando as tendências das vendas a retalho são mais estáveis do que os dados de envios deixam antever.

A atividade global da Constellation continuou a ser sustentada pela cerveja, que manteve o peso maioritário nas receitas da empresa. As vendas líquidas do grupo aumentaram 1% no primeiro semestre, para 5,066 mil milhões de dólares, face aos 4,996 mil milhões registados no período homólogo. O resultado líquido atribuível à empresa subiu 24%, para 1,220 mil milhões de dólares, face a 982,1 milhões. As vendas líquidas de cerveja cresceram 4%, para 4,757 mil milhões de dólares.

A empresa afirmou que a comparação homóloga do primeiro semestre no segmento de vinhos e bebidas espirituosas foi fortemente afetada pela ausência das vendas das marcas e dos ativos de produção que vendeu à The Wine Group em 2025. A transação incluiu marcas de vinhos de gama generalista, como Woodbridge, Meiomi, Cook’s, Robert Mondavi Private Selection, SIMI e J. Rogét, bem como as adegas, vinhas e instalações de produção associadas. A Constellation afirmou que essas atividades de vinho geraram 142 milhões de dólares em vendas líquidas entre 1 de março e 1 de junho de 2025, o que pesou nas comparações tanto do primeiro trimestre como do primeiro semestre do exercício fiscal de 2027.

Depois de ajustada a alienação desses ativos, a atividade de vinhos e bebidas espirituosas que a empresa manteve registou crescimento. Com base nos canais de retalho dos EUA monitorizados pela Circana, a Constellation afirmou que a sua carteira de vinhos e bebidas espirituosas superou o conjunto da categoria tanto em vendas em valor como em volume. A empresa afirmou também que a sua carteira de vinhos ficou em terceiro lugar nos ganhos de quota em valor nos EUA.

A rentabilidade do segmento melhorou durante o semestre. A margem bruta de vinhos e bebidas espirituosas subiu para 53,6%, face a 51,6%, um aumento de 2 pontos percentuais. A Constellation atribuiu essa evolução, em parte, à venda de marcas com margens mais baixas e à redução dos custos dos produtos.

O segundo trimestre foi mais forte para a divisão em termos reportados. As vendas líquidas de vinhos e bebidas espirituosas aumentaram 17%, sobretudo devido a uma subida de 15,4% nos volumes de envios. A margem operacional atingiu 3,8% e o segmento voltou a apresentar um resultado operacional positivo. A Constellation afirmou que as recuperações associadas a reclamações relativas às tarifas dos EUA reduziram o custo dos produtos vendidos, enquanto as medidas de reestruturação e de redução de custos diminuíram as despesas de marketing e outras despesas comerciais, gerais e administrativas. A empresa afirmou também que as vendas através do canal de distribuição melhoraram.

As saídas dos distribuidores no segundo trimestre — que medem as vendas dos distribuidores a retalhistas e a outros estabelecimentos licenciados — aumentaram 10,2%. A Constellation afirmou que Kim Crawford e Mi CAMPO estiveram entre os principais motores, com crescimentos das saídas de cerca de 11% e 51%, respetivamente.

Apesar da recuperação no segundo trimestre, a empresa manteve uma perspetiva cautelosa para o resto do ano. A Constellation manteve a previsão de que as vendas líquidas orgânicas no exercício fiscal de 2027 se situem entre uma quebra de 1% e um aumento de 1%, tanto para a empresa no seu conjunto como para os segmentos de cerveja e de vinhos e bebidas espirituosas. A administração afirmou que espera uma descida dos envios de vinhos e bebidas espirituosas no segundo semestre, em parte porque está a trabalhar com grandes distribuidores em planos acordados por ambas as partes para reduzir os inventários de produtos acabados.

O relatório trimestral da empresa também apontou para a continuação da pressão decorrente da incerteza económica e de fatores socioeconómicos mais amplos. Assim, a unidade de vinhos e bebidas espirituosas entra no segundo semestre com indicadores de retalho e de margem em melhoria em algumas áreas da atividade, mas com volumes de envios suscetíveis de serem afetados pela redução dos inventários no sistema de distribuição. Para produtores, grossistas e retalhistas do mercado das bebidas, esta distinção é importante, porque os dados de envios podem enfraquecer antes de a procura dos consumidores o fazer, sobretudo quando as empresas estão também a reconfigurar as suas carteiras de marcas.

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