Vendas a retalho de bebidas alcoólicas nos EUA caíram 0,9% no terceiro trimestre

Dados da Circana mostram que o volume de vendas em caixas caiu 2,8%, devido a perdas mais acentuadas na cerveja, depois de abrandar o crescimento das bebidas prontas a beber.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

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Vendas a retalho de bebidas alcoólicas nos EUA caíram 0,9% no terceiro trimestre

As vendas de bebidas alcoólicas em supermercados, grandes superfícies e lojas de conveniência nos EUA enfraqueceram no terceiro trimestre, com perdas mais acentuadas na cerveja e um abrandamento do crescimento dos cocktails prontos a beber, segundo novos dados de vendas a retalho da empresa de estudos de mercado Circana, divulgados na terça-feira pelo Brewbound.

O mais recente relatório semanal da Circana sobre vendas para consumo fora do estabelecimento concluiu que as vendas totais, em valor, de bebidas alcoólicas nos canais de retalho multiformato e de conveniência dos EUA abrangidos pelo estudo caíram 0,9% face ao ano anterior nas 12 semanas até 27 de setembro, um período que, segundo o relatório, corresponde aproximadamente ao terceiro trimestre. As vendas nesse período ascenderam a quase 17,3 mil milhões de dólares.

A quebra foi mais acentuada em volume. As vendas em caixas de bebidas alcoólicas caíram 2,8% em termos homólogos no mesmo período de 12 semanas, segundo o relatório.

A Circana afirmou que a queda se acentuou no trimestre, devido a perdas mais expressivas na cerveja e à perda de dinamismo nas vendas de cocktails prontos a beber. O artigo do Brewbound não incluía, no excerto disponível, uma discriminação completa por categoria, mas indicava que estas duas mudanças foram os principais fatores por detrás da fraqueza generalizada no terceiro trimestre.

Os dados abrangem os canais de venda para consumo fora do estabelecimento, ou seja, compras destinadas a ser consumidas noutro local, e não em bares e restaurantes. Nos EUA, este segmento do mercado é acompanhado de perto, pois permite a cervejeiras, fornecedores de bebidas espirituosas, distribuidores e retalhistas perceber com frequência o que os consumidores compram no retalho do dia a dia.

O recuo no terceiro trimestre aponta para um contexto mais difícil para o retalho de bebidas alcoólicas, após vários anos em que as empresas recorreram a aumentos de preços, ofertas premium e lançamentos de novos produtos para defender as receitas. Como as vendas em valor caíram menos do que o volume em caixas, os dados indicam também que preços mais elevados ou alterações no mix de produtos poderão continuar a limitar parte do impacto nas receitas, apesar da pressão sobre a procura em unidades. O excerto do relatório da Circana não apresentava uma explicação mais aprofundada para esta diferença.

O peso da cerveja na quebra trimestral é particularmente relevante, uma vez que continua a ser um dos maiores segmentos do retalho de bebidas alcoólicas nos EUA. Uma queda mais rápida nas vendas de cerveja pode afetar o planeamento da produção, os inventários dos distribuidores e as decisões relativas ao espaço nas prateleiras em todo o mercado das bebidas. Pode também influenciar a concorrência com outras categorias, incluindo bebidas aromatizadas à base de malte, produtos prontos a beber à base de bebidas espirituosas, vinho e marcas de bebidas alcoólicas importadas que dependem dos mesmos canais de retalho.

O abrandamento dos cocktails prontos a beber também é relevante, uma vez que este segmento tem sido uma das principais áreas de crescimento do setor nos últimos anos. Se esta categoria estiver a perder dinamismo enquanto a cerveja continua sob pressão, os fornecedores de bebidas poderão dispor de menos oportunidades de crescimento a curto prazo na reta final do ano. Isso poderá influenciar as previsões de cervejeiras, importadores e grossistas, bem como as decisões de marketing e promoção num período de vendas importante.

O Brewbound divulgou os dados da Circana na terça-feira. A Circana acompanha as vendas nos canais que descreve como o conjunto dos canais de retalho multiformato e de conveniência dos EUA, uma visão abrangente do retalho que inclui, em geral, grandes cadeias e lojas de conveniência, mas exclui a maior parte do consumo no local.

O relatório surge numa altura em que as empresas de bebidas continuam a acompanhar de perto os padrões de consumo. Em todas as categorias de alimentação e bebidas, as empresas procuram perceber quanto estão os consumidores dispostos a gastar, com que frequência optam por produtos mais baratos e se a conveniência ou o posicionamento premium continuam a sustentar o crescimento. No setor das bebidas alcoólicas, estas questões tornaram-se mais prementes à medida que algumas categorias perdem volume e as empresas enfrentam um mercado mais concorrido para novos lançamentos.

A leitura da Circana para o terceiro trimestre sugere que estas pressões se mantiveram até ao final de setembro, com a cerveja a pesar mais e os cocktails prontos a beber a deixarem de dar o mesmo apoio que tinham proporcionado no início da expansão da categoria.

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