Vindima de 2026 da Rueda subiu 17,6% para 144.838.958 quilos
A Verdejo impulsionou o aumento, representando 88% da colheita depois de o calor e a seca terem acelerado a maturação em toda a denominação.
quarta-feira, 30 de setembro de 2026

A vindima de 2026 da Rueda aumentou 17,6% face ao ano anterior, com as adegas da denominação a receberem 144.838.958 quilos de uvas durante a campanha, segundo dados divulgados na terça-feira pelo Conselho Regulador da D.O. Rueda, em Castela e Leão, Espanha.
O total compara com 123.123.089 quilos em 2025, o que representa um aumento de 21.715.869 quilos. Os dados abrangem as uvas entregues nas adegas da denominação entre 12 de agosto e 24 de setembro, numa vindima de 44 dias que o conselho disse ter decorrido nos 74 municípios que integram a denominação.
O aumento foi impulsionado sobretudo pela Verdejo, a casta branca que domina a produção de Rueda. A denominação reportou 127.407.397 quilos de Verdejo em 2026, face a 108.903.108 quilos um ano antes. Isso representou um aumento de 18.504.289 quilos, ou 17%. A Verdejo representou 88% de todas as uvas colhidas na denominação este ano.
Os dados sublinham o grau em que a região continua fortemente centrada nas variedades brancas. Do total da vindima de 2026, 144.465.124 quilos eram uvas brancas, o equivalente a 99,74% da colheita. As castas tintas representaram 373.834 quilos, ou 0,26%.
A colheita maior aponta para um aumento claro da oferta potencial para os vinhos de Rueda, sobretudo os baseados em Verdejo, após a menor colheita de 2025. Essa evolução poderá afetar a utilização das adegas, a disponibilidade de uva e os níveis de stock nos próximos meses. O conselho não publicou rendimentos de conversão de uva em vinho acabado, nem divulgou dados sobre preços, existências ou área de vinha produtiva, pelo que os números da vindima, por si só, não indicam quanto vinho acabará por chegar ao mercado.
O conselho disse que as condições meteorológicas moldaram o decurso da campanha. No comunicado, descreveu o ciclo vegetativo como marcado por temperaturas elevadas e por uma ausência notável de precipitação durante grande parte do ciclo. Essas condições aceleraram a maturação e levaram a um início da vindima mais cedo do que o habitual. O calor manteve-se também nas primeiras semanas de setembro.
Jesús Díez de Íscar, diretor técnico da D.O. Rueda, disse no comunicado que a combinação de temperaturas elevadas e baixa pluviosidade obrigou a um acompanhamento rigoroso das vinhas para determinar o melhor momento para vindimar cada parcela. Referiu que as uvas, apesar disso, chegaram à vindima em bom estado sanitário e que a maturação evoluiu de forma a permitir a colheita por etapas, consoante as características de cada parcela e variedade.
O conselho disse que a vindima em Rueda continuou a ser feita sobretudo por máquina e durante a noite, uma prática comum na denominação. Referiu que as temperaturas mais baixas durante a noite ajudam a preservar o estado das uvas durante a colheita e o transporte para as adegas.
Os novos números são mais relevantes para a Verdejo porque é a variedade definidora da denominação e a base de grande parte da sua produção comercial. Com 127,4 milhões de quilos este ano, a Verdejo representou não só 88% da colheita global, mas também 88,2% de todas as uvas brancas recolhidas na denominação. Essa concentração significa que variações ano a ano nos volumes de Verdejo podem ter um efeito amplo nas operações das adegas e no ritmo da vinificação nas primeiras semanas após a vindima.
O anúncio do conselho centrou-se na uva que entrou nas adegas, e não na produção final. Essa distinção é importante porque quilos de uvas não são o mesmo que litros de vinho engarrafado ou volumes de vendas. A produção final depende dos rendimentos da vinificação e de outros fatores que não foram incluídos no comunicado.
Carlos Yllera, presidente do Conselho Regulador, disse no comunicado que o fim da vindima refletiu meses de trabalho e de coordenação entre viticultores, adegas e equipas técnicas. Acrescentou que a próxima etapa passa agora para as adegas e para o desenvolvimento dos primeiros vinhos da nova colheita.
A Rueda foi criada em 1980 e é a primeira denominação de origem oficialmente reconhecida em Castela e Leão. A sua zona de produção abrange municípios das províncias de Valladolid, Segóvia e Ávila. A região é conhecida sobretudo pelos vinhos brancos, em especial os feitos a partir de Verdejo, que o conselho descreve como uma casta autóctone com uma longa história na região.
Os dados da vindima de 2026 dão às adegas mais matéria-prima do que tinham no ano passado e revertem parte do quadro de oferta mais apertada que se seguiu à colheita menor de 2025. Para viticultores e produtores, as próximas variáveis-chave serão o desempenho das uvas na vinificação, quanto vinho poderá ser produzido com a maior entrada de uva e se o volume adicional alterará as condições de mercado para uma denominação que continua largamente dependente das uvas brancas e, acima de tudo, da Verdejo.