As compras dos EUA de vinho espanhol caíram 16,3% na campanha de 2025-2026
O valor das vendas caiu 16,9%, uma contração mais acentuada do que a registada por Espanha nas suas exportações de vinho a nível mundial.
sexta-feira, 25 de setembro de 2026

As compras de vinho espanhol pelos EUA caíram mais de 16% na campanha de 2025-2026, registando uma descida mais acentuada do que a observada por Espanha nas suas exportações globais de vinho no mesmo período.
A quebra afetou tanto o volume como o valor. As expedições para os Estados Unidos recuaram 16,3% em volume e 16,9% em valor nos 12 meses entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo uma análise da consultora de mercado vinícola DelReyAWM, liderada pelo analista Rafael del Rey, com base em dados da Agência Tributária de Espanha, conhecida pela sigla AEAT.
Os números comparam a campanha completa de 2025-2026 com a anterior. Refletem um ano inteiro de comércio, e não um único mês nem apenas parte de 2026. Os dados mostram que o mercado dos EUA enfraqueceu mais acentuadamente do que o conjunto do negócio exportador espanhol.
Nos mercados externos no seu conjunto, as exportações espanholas de vinho caíram 9,5% em volume e 6,1% em valor no mesmo período. Isto significa que a descida das expedições para os Estados Unidos foi 6,8 pontos percentuais mais profunda do que a quebra observada no volume total exportado por Espanha. A diferença foi ainda maior em valor de vendas. A quebra de 16,9% no mercado americano foi 10,8 pontos percentuais pior do que a descida global das receitas de exportação.
A comparação sugere que a fraqueza nos Estados Unidos não fez simplesmente parte de uma desaceleração uniforme das exportações espanholas de vinho. Tratou-se de uma contração mais pronunciada num dos principais mercados externos de Espanha.
A relação entre as cifras de valor e volume aponta também para uma ligeira descida da receita média por litro de vinho vendido aos Estados Unidos. Como o valor caiu 16,9% enquanto o volume recuou 16,3%, o preço médio implícito desceu cerca de 0,7%, com base nas taxas publicadas e em cálculos arredondados. Em termos práticos, os exportadores espanhóis venderam menos vinho nos Estados Unidos e, em média, obtiveram ligeiramente menos receita por cada litro expedido.
Esse detalhe é importante porque mostra que os menores volumes foram o principal fator da descida, enquanto os preços não compensaram a perda. Em alguns mercados de exportação, uma queda nas expedições pode ser parcialmente equilibrada por preços mais fortes ou por uma mudança para produtos de maior valor. No caso dos EUA, aconteceu o contrário. O retorno médio por litro baixou ligeiramente, em vez de subir.
Esse padrão foi diferente do que aconteceu com o conjunto das exportações de vinho espanholas. Para todos os destinos em conjunto, a descida de 6,1% em valor foi menor do que a quebra de 9,5% em volume. Isso implica um aumento de cerca de 3,8% no preço médio de exportação. O setor exportador no seu conjunto parece, portanto, ter beneficiado de uma composição de preços mais firme ou de preços mais altos noutros mercados, mesmo com a queda dos volumes totais. Os Estados Unidos não seguiram esse padrão.
Os dados divulgados pela DelReyAWM não apresentam uma desagregação dos resultados dos EUA por categoria de vinho. Não mostram como se comportaram individualmente, no mercado americano durante a campanha, o vinho tranquilo, o espumante, o vinho a granel ou o vinho engarrafado. Também não incluem o número total de litros expedidos para os Estados Unidos nem o valor total em euros dessas expedições no período abrangido. Isso significa que a dimensão da contração pode ser medida em termos percentuais, mas ainda não convertida no montante exato de negócio perdido em euros ou litros com base na informação divulgada.
A ausência de detalhe por categoria também limita o que pode ser dito sobre preços. Uma receita média por litro mais baixa não significa necessariamente que todos os exportadores tenham reduzido preços. Pode também refletir uma alteração na combinação de produtos vendidos, como uma maior proporção de vinhos mais baratos ou um desempenho mais fraco nos segmentos premium. Sem dados mais detalhados, não é possível determinar se a quebra resultou de descontos, de uma mudança na procura dos consumidores ou de alterações nos tipos de vinho espanhol importados pelos compradores norte-americanos.
O relatório também não identifica uma causa específica para a quebra da procura nos EUA. Apresenta o resultado comercial, não uma explicação para ele. Ainda assim, os números mostram uma mudança clara de direção nas vendas de vinho espanhol para os Estados Unidos durante a mais recente campanha completa.
Para os produtores e exportadores espanhóis, o mercado americano continua a ser importante pela sua dimensão e pelo seu papel nas vendas de vinhos de maior valor. Uma descida mais acentuada em valor do que em volume pode ser especialmente significativa para as empresas que dependem desse mercado para exportações de marca ou premium. Neste caso, contudo, ambas as medidas recuaram a um ritmo quase idêntico, mostrando um recuo generalizado e não um colapso limitado a uma parte do comércio.
A calendarização também é relevante. Como a campanha decorre de agosto a julho, os resultados cobrem um ciclo comercial completo que inclui planeamento relacionado com a vindima, decisões de expedição e padrões de compra no retalho ao longo das estações. Isso dá aos dados mais peso do que uma flutuação mensal de curto prazo e oferece uma imagem mais clara do desempenho do mercado ao longo de um período sustentado.
A análise da DelReyAWM, baseada em dados aduaneiros e fiscais da AEAT, coloca os Estados Unidos entre os destinos mais fracos para o vinho espanhol em 2025-2026. Embora o setor vitivinícola espanhol tenha enfrentado um declínio geral dos volumes exportados a nível mundial, o mercado americano registou um recuo mais forte tanto nas expedições físicas como nas receitas, juntamente com uma ligeira deterioração do rendimento médio por unidade.
Os números publicados deixam em aberto várias questões que seriam importantes para exportadores, distribuidores e investidores que acompanham o comércio. Ainda não é possível perceber se as perdas se concentraram em alguns meses, se certos segmentos de preço resistiram melhor do que outros, ou se algumas regiões e produtores foram mais afetados do que a média. Os dados divulgados até agora estabelecem a dimensão da quebra, mas não a sua composição interna.