Stateside abandona ação por trade dress contra a Anheuser-Busch devido à embalagem da Skimmers
Um juiz arquivou o caso com prejuízo, encerrando uma disputa sobre se as latas da Skimmers imitavam o visual da Surfside.
quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A Stateside Brands, empresa por detrás da linha de cocktails prontos a beber Surfside, concordou em retirar a ação por trade dress que tinha intentado no ano passado contra a Anheuser-Busch devido à embalagem do Skimmers, um chá gelado alcoólico.
Um juiz federal deferiu na segunda-feira um pedido para arquivar o caso com prejuízo, segundo a ordem judicial citada pela Food Dive. Isso significa que os pedidos não podem voltar a ser apresentados. A ordem acrescenta que cada parte suportará as suas próprias custas e honorários de advogados, e que ambas renunciaram a qualquer direito de recurso.
A disputa centrou-se na alegação da Surfside de que a Anheuser-Busch tinha copiado o aspeto das suas latas quando lançou o Skimmers. Na queixa original, a Stateside afirmou que os produtos partilhavam várias características visuais, incluindo latas com riscas de cores vivas, um logótipo de sol e um formato pronto a beber à base de chá gelado. A Stateside argumentou que a Anheuser-Busch estava a tentar beneficiar do reconhecimento crescente da Surfside no mercado.
Os casos de trade dress centram-se no aspeto global e na apresentação de um produto, e não apenas no nome da marca. Em categorias de consumo como as bebidas alcoólicas, isso pode incluir esquemas de cores, logótipos, disposição gráfica e outros elementos da embalagem que ajudam os consumidores a identificar um produto nas prateleiras. O arquivamento encerra o processo sem uma decisão sobre se a embalagem do Skimmers era, do ponto de vista legal, demasiado semelhante à da Surfside.
Na altura em que a ação foi intentada, o advogado de propriedade intelectual Josh Gerben disse que o caso poderia enfrentar obstáculos porque a Stateside não tinha um registo federal de marca para o desenho da lata em causa. Esse ponto chamou a atenção porque os litígios sobre embalagens estão a tornar-se mais importantes em categorias de bebidas muito concorridas, onde as empresas dependem fortemente da identidade visual para se destacarem.
O fim do caso surge num momento em que a concorrência nas bebidas alcoólicas prontas a beber continua intensa. A Surfside foi lançada em 2022 e tem vindo a alargar a sua gama de sabores à medida que cresce a procura por cocktails em lata e por bebidas aromatizadas à base de malte e de bebidas espirituosas. A Stateside também alargou a sua oferta para além da Surfside. Em março, a empresa apresentou a Super Lyte, uma bebida à base de vodca feita com ingredientes habitualmente usados em bebidas isotónicas.
A Skimmers é um produto mais recente. Foi lançada em 2025, no âmbito do impulso mais amplo da Anheuser-Busch nas bebidas prontas a beber. O negócio de RTD da cervejeira assenta em grande medida em marcas como a Cutwater e a BeatBox, que adquiriu mais recentemente à medida que se expandia para lá da cerveja tradicional. A Skimmers e a Surfside destacam-se ambas na categoria como bebidas não carbonatadas disponíveis em vários sabores, um segmento que tem atraído mais atenção à medida que os consumidores procuram alternativas à cerveja e aos cocktails em lata convencionais.
O caso chamou a atenção para lá das duas empresas porque o segmento de bebidas prontas a beber se tornou uma das poucas notas positivas num mercado de bebidas alcoólicas em abrandamento. Segundo dados da IWSR citados pela Food Dive, os volumes de cocktails em lata subiram 3% em 2025, enquanto todas as outras grandes categorias de bebidas alcoólicas registaram quedas. Esse crescimento levou mais grandes cervejeiras, produtores de bebidas espirituosas e pequenas marcas independentes para o mesmo espaço nas prateleiras, aumentando as hipóteses de conflitos em torno da marca, do design da lata e de outros elementos de marketing.
Para as empresas de bebidas, a disputa é um lembrete de que a embalagem pode tornar-se um campo de batalha legal, especialmente em segmentos de crescimento rápido como o chá alcoólico e os cocktails em lata. Mostra também os limites de tentar proteger o aspeto de um produto quando a propriedade do design não está claramente assegurada através de registo federal ou de outras proteções de propriedade intelectual. Num mercado em que os novos entrantes avançam rapidamente e a semelhança visual pode influenciar decisões de compra, o desfecho pode moldar a forma como as marcas encaram o design da embalagem, a estratégia de marca registada e o risco de lançamento.
Nem a ordem judicial nem a reportagem citada pela Food Dive revelaram termos adicionais para além do arquivamento. Na ordem reportada, não havia indicação de que qualquer uma das partes tivesse admitido qualquer irregularidade. O caso está agora encerrado, pondo fim a uma disputa centrada em saber se a aparência de uma lata podia dar a uma marca de bebidas alcoólicas prontas a beber uma vantagem injusta sobre outra.