Exportações do setor vínico espanhol caíram 7,2% para €3,27 mil milhões em 2025-2026

Os volumes caíram 13% para o nível mais baixo da série da DelReyAWM, liderados por fortes quebras no mosto de uva e no vinho a granel.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

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Exportações do setor vínico espanhol caíram 7,2% para €3,27 mil milhões em 2025-2026

A Espanha encerrou a sua campanha vitivinícola de 2025-2026 com exportações de vinho e outros produtos do setor vínico no valor de €3,2743 mil milhões, menos €253 milhões do que no período de 12 meses anterior, à medida que a quebra dos volumes expedidos se sobrepôs aos preços médios mais altos.

O país exportou 2,375 mil milhões de litros, ou 23,75 milhões de hectolitros, nos 12 meses até julho de 2026, segundo uma análise da consultora DelReyAWM com base em dados da agência fiscal espanhola, a AEAT. Trata-se de uma descida de 13% em volume e de 7,2% nas receitas de exportação face aos 12 meses anteriores. Os números abrangem não só o vinho, mas também mosto de uva, vermute e vinagre, pelo que as taxas globais não descrevem apenas o vinho.

A perda nos envios físicos foi acentuada: 3,5 milhões de hectolitros, ou cerca de 350 milhões de litros. A receita aguentou melhor do que o volume porque o preço médio de exportação subiu 6,6% para €1,38 por litro. Esse aumento atenuou a queda do valor das vendas, mas não impediu a Espanha de terminar a campanha com menos receitas de exportação.

O resultado anual marcou também dois extremos opostos na série histórica da DelReyAWM, que começa no final de 2016. O volume exportado caiu para o nível mais baixo registado nos dados, enquanto o preço médio atingiu o nível mais alto da série. As receitas de exportação ficaram bem abaixo dos picos recentes, mas não desceram aos mínimos registados no início da década.

Julho, o último mês da campanha, foi menos negativo do que o quadro anual. Só nesse mês, as exportações de vinho e produtos afins caíram 6,3% em volume e 0,6% em valor face ao mesmo mês do ano anterior. A menor descida das receitas voltou a refletir preços mais fortes. Rafael del Rey, o especialista em mercado do vinho por detrás da análise da DelReyAWM, disse que os dados de julho mostravam uma contração mais lenta do que nos meses anteriores, mas não um regresso ao crescimento.

Uma grande parte da quebra anual veio do mosto de uva, que teve um desempenho claramente pior do que o vinho. As exportações de mosto caíram 24,4% em volume durante a campanha, o que representa uma perda de 1,6 milhões de hectolitros, ou cerca de 160 milhões de litros. Em comparação, as exportações totais de vinho caíram 9,5% em volume. Do lado da receita, as exportações de mosto recuaram 16%, ou €64,6 milhões. Isso significa que o mosto representou cerca de 25,5% da queda total de €253 milhões nas receitas de exportação, embora tenha representado cerca de 46% do volume perdido em todos os produtos do setor vínico.

O vinho em si também perdeu valor, mas a um ritmo mais lento. A DelReyAWM disse que as receitas de exportação do vinho caíram 6,1%, face a 16% no mosto. Com base nas variações reportadas de valor e volume, o preço médio de exportação terá subido cerca de 11,1% no mosto e cerca de 3,8% no vinho no conjunto. Ainda assim, os ganhos de preço não foram suficientes para compensar a forte quebra dos volumes de mosto.

No caso do vinho, os envios a granel foram uma das principais fontes da quebra de volume. A Espanha exportou menos 1,3 milhões de hectolitros de vinho a granel nos 12 meses até julho, o equivalente a cerca de 130 milhões de litros. A DelReyAWM disse que essa contração foi um fator importante por detrás da descida de 9,5% nos volumes totais de vinho expedidos para o exterior.

Em conjunto, as perdas em mosto e vinho a granel totalizaram 2,9 milhões de hectolitros, ou cerca de 290 milhões de litros. Isso correspondeu a cerca de 83% da quebra total de 3,5 milhões de hectolitros registada nos produtos do vinho e relacionados. O impacto na receita foi menor, mas ainda significativo. Só o vinho a granel reduziu as receitas de exportação em €24,1 milhões. Somando a perda de €64,6 milhões no mosto, as duas categorias representaram €88,7 milhões, ou cerca de 35% da queda total das receitas. Esse contraste mostra que a queda em litros se concentrou fortemente no mosto e no vinho a granel, enquanto a perda de valor das vendas se distribuiu de forma mais ampla pelo cabaz exportador.

Entre os vinhos embalados, os vinhos tranquilos resistiram melhor do que os espumantes tanto em valor como em volume, segundo a desagregação da consultora. No entanto, dentro dos vinhos tranquilos embalados, o desempenho variou fortemente por categoria. As exportações de vinhos com indicação geográfica protegida, ou IGP, caíram 14,6% em valor. Os vinhos com denominação de origem protegida, ou DOP, também recuaram, mas menos acentuadamente, com as receitas a baixarem 7,9%. Os vinhos varietais seguiram a direção oposta e registaram um aumento de 5,7% no valor das exportações.

Esse ganho partiu de uma base de negócio muito menor. A DelReyAWM disse que as receitas das exportações de vinho varietal representam ainda apenas cerca de um décimo das receitas geradas pelos vinhos DOP. Isso significa que o crescimento nos varietais não foi suficiente para compensar a queda no segmento DOP, muito maior. Os vinhos sem indicação geográfica mantiveram-se, de um modo geral, estáveis, embora os volumes tenham recuado ligeiramente.

A análise por países aponta para a Itália e a França como dois mercados que penalizaram os resultados exportadores de Espanha, sobretudo devido a vendas mais fracas de vinho a granel e, no caso da Itália, também de mosto. A DelReyAWM situou a quebra em Itália em 48% “no total”, associada a menores vendas de vinho a granel e mosto, mas o resumo citado não especificou se esse valor se referia a valor ou volume. A França também se destacou como um mercado afetado pela redução dos envios de vinho a granel, embora a análise não tenha atribuído uma parcela das perdas a cada destino.

Os Estados Unidos também enfraqueceram. As exportações de vinho espanhol para os EUA caíram 16,3% em volume e 16,9% em valor. Nesse mercado, ao contrário do quadro exportador mais amplo, as receitas caíram ligeiramente mais depressa do que o volume, o que implica que o preço médio terá recuado cerca de 0,7% com base nas taxas reportadas.

Alguns mercados subiram. A DelReyAWM apontou um forte crescimento das exportações para a Costa do Marfim, Marrocos e Roménia, entre outros. Não forneceu valores nem volumes para esses ganhos, pelo que o seu efeito exato no resultado global não pode ser medido apenas a partir do resumo.

A tendência de mais longo prazo mostra até que ponto os volumes expedidos caíram. Com 2,375 mil milhões de litros, o total móvel de 12 meses até julho foi o ponto mais baixo no gráfico da DelReyAWM, que começa em dezembro de 2016. No início dessa série, as exportações anuais rondavam os 2,75 mil milhões de litros. Os volumes subiram para cerca de 2,85 mil milhões a 2,9 mil milhões de litros em 2017 e no início de 2018, depois recuaram, recuperaram e mais tarde dispararam em 2021 para acima de 3,1 mil milhões de litros. Esse pico foi seguido de uma correção prolongada. Os volumes caíram acentuadamente em 2022, rondaram mais perto de 2,6 mil milhões de litros em 2023, recuperaram durante parte de 2024 e depois retomaram uma trajetória descendente ao longo de 2025 e 2026.

As receitas seguiram um percurso diferente. O valor das exportações estava abaixo de €3 mil milhões no início da série, subiu para cerca de €3,35 mil milhões em 2018, depois caiu durante 2019 e 2020 antes de recuperar em 2021. As receitas anuais de exportação mais tarde subiram acima de €3,5 mil milhões em 2023, voltaram a recuperar perto desse nível em 2024 e aproximaram-se de €3,6 mil milhões entre o final de 2024 e o início de 2025. A partir daí inverteram a tendência, terminando em julho de 2026 abaixo de €3,3 mil milhões.

O preço médio de exportação explica por que razão receitas e volume terminaram a campanha em posições diferentes relativamente aos mínimos históricos. O gráfico da DelReyAWM mostra o preço em cerca de €1,06 por litro no final de 2016, subindo para perto de €1,29 no final de 2018, recuando depois e voltando a subir durante 2022 e 2023. Após um recuo em 2024, a média voltou a subir em 2025 e atingiu depois €1,38 por litro em 2026, o nível mais alto do período apresentado.

Esse preço médio é uma média agregada de vinho, mosto, vermute e vinagre, e pode mudar devido a movimentos de preço dentro de cada categoria ou a alterações na quota que cada produto representa no cabaz exportador. Os dados por categoria mostram que esses movimentos não foram uniformes, com o mosto, o vinho no conjunto e as exportações para os Estados Unidos a seguirem cada um padrões de preços diferentes.

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