González Byass nomeia Enrique Murillo administrador-delegado a partir de 15 de novembro
O produtor familiar promoveu o responsável pela área internacional antes de apresentar uma estratégia para enfrentar uma procura de vinho mais fraca.
quarta-feira, 23 de setembro de 2026

A González Byass disse na quarta-feira que Enrique Murillo, o executivo que atualmente lidera o negócio internacional, assumirá o cargo de administrador-delegado da empresa a 15 de novembro, substituindo César Sánchez Moral, enquanto o grupo espanhol de vinhos e bebidas espirituosas de capitais familiares prepara um novo plano estratégico e trabalha na reestruturação das suas finanças.
A empresa afirmou que Murillo e Sánchez trabalharão em conjunto até a passagem de testemunho se concretizar, num esforço para manter uma transição ordenada num momento de pressão sobre o negócio do vinho. A mudança surge enquanto o produtor sediado em Jerez enfrenta menor consumo de vinho, margens mais estreitas e custos de financiamento mais elevados, segundo a empresa e relatos publicados sobre os seus resultados recentes.
Murillo é um quadro interno de longa data da González Byass, dona de marcas como Tío Pepe, Beronia, Viñas del Vero, Vilarnau, Croft e Lusco. Entrou no grupo em 2011 como diretor financeiro e, desde então, ocupou cargos de direção em Espanha, no México e noutros mercados internacionais.
Em 2017, tornou-se diretor executivo da Pedro Domecq México, uma empresa da González Byass, onde ajudou a desenvolver o negócio e a alargar o portefólio de brandy do grupo nesse mercado, disse a empresa. Regressou a uma função corporativa em 2021 como adjunto da direção-geral, onde acompanhou o plano estratégico 2021-2023 do grupo. Mais tarde, liderou a joint venture com a Emperador para a Bodega Las Copas e a Domecq Bodega Las Copas. Em janeiro de 2023, foi nomeado responsável pela divisão das Américas e, em julho de 2025, transitou para o cargo que atualmente ocupa, à frente da divisão internacional.
Mauricio González-Gordon, presidente do conselho de administração da empresa, afirmou que a nomeação reflete a decisão de promover alguém de dentro da casa. Numa declaração, disse que o conhecimento de Murillo sobre o negócio, a experiência e o alinhamento com os valores da empresa o tornam "a pessoa certa para liderar esta nova etapa". Acrescentou ainda agradecimentos a Sánchez pelo trabalho e pelo empenho durante o tempo em que exerceu o cargo.
A empresa não anunciou, em simultâneo com a nomeação, uma remodelação mais ampla da gestão, mas o momento da mudança é significativo. A González Byass está a elaborar um novo plano estratégico que espera apresentar no último trimestre do ano. O grupo já disse que o próximo plano se vai centrar na inovação, em novas ocasiões de consumo e na eficiência operacional, procurando ao mesmo tempo proteger a força das suas marcas consolidadas de vinho e bebidas espirituosas.
Murillo assumirá funções no meio de um período difícil para o setor do vinho em geral e para a própria González Byass. As últimas contas consolidadas disponíveis do grupo, referentes a 2024, mostraram uma queda de 2% nas vendas, para 235 milhões de euros, enquanto o lucro operacional desceu para 9,3 milhões de euros, face a 12,8 milhões de euros um ano antes, segundo relatos publicados que citaram documentos da empresa.
Esses relatos acrescentavam que a empresa está em conversações com 11 bancos, incluindo Santander, CaixaBank e BBVA, para renegociar o financiamento associado a um endividamento consolidado próximo de 150 milhões de euros. A González Byass tomou recentemente medidas para ajustar a sua base de custos, incluindo reduções de pessoal em algumas subsidiárias, e tem vindo a rever ativos não estratégicos. Entre os ativos em análise, segundo relatos da imprensa económica espanhola, estão instalações ligadas à Finca Constancia, em Toledo.
Mesmo com essas pressões, a empresa afirmou esperar manter a rentabilidade na sua atividade normal e prevê faturação bruta de 321 milhões de euros e receita líquida de 230 milhões de euros para 2026, em linha com as medidas operacionais e financeiras que estão agora a ser implementadas.
Sánchez liderava a González Byass desde o início de 2023, depois de suceder a Jorge A. Grosse, que esteve à frente da empresa durante 16 anos. O seu mandato abrangeu a fase final do ciclo estratégico que agora termina. A empresa apresentou a mudança de liderança como uma continuidade e não como uma rutura, vendo Murillo como um executivo que conhece o negócio tanto do ponto de vista financeiro como comercial.
Essa trajetória interna parece central para a decisão. A González Byass, um dos grupos de vinho mais conhecidos de Espanha e um nome de referência no xerez, vende em uma vasta gama de mercados internacionais. Os anos de Murillo nas finanças, o seu trabalho no México e a posterior supervisão das operações nas Américas e internacionais dão-lhe exposição direta aos mercados onde a empresa procura crescer à medida que os padrões de consumo de vinho mudam no mercado interno e a nível global.
Espera-se que o novo plano estratégico dê resposta a essas mudanças. A González Byass tem vindo a expandir-se para categorias pensadas para chegar a consumidores para além das ocasiões tradicionais de consumo de vinho. Um dos exemplos destacados pela empresa é o Croft Twist, uma bebida ao estilo spritz que, segundo a própria, vende agora mais de 1 milhão de garrafas por ano em Espanha. Ao mesmo tempo, o grupo continua dependente das suas marcas centrais de vinho e bebidas espirituosas, que concentram grande parte da sua identidade e do seu negócio de exportação.
A sua presença internacional continua a ser uma vantagem, mas também traz riscos. As condições de mercado nos Estados Unidos e noutros destinos de exportação, juntamente com a possibilidade de barreiras comerciais, acrescentaram incerteza a muitos produtores de bebidas. Para a González Byass, essa pressão soma-se a custos de financiamento mais elevados e a um contexto global mais fraco para o vinho.
Murillo, licenciado em Economia e Gestão pela Universidade de Navarra, com um mestrado executivo do Instituto San Telmo e um certificado de gestão avançada da Harvard Business School, passará agora a ser responsável por conduzir a empresa tanto nas negociações financeiras como na próxima fase da sua estratégia comercial.
Até 15 de novembro, disse a empresa, Murillo e Sánchez irão partilhar o trabalho de transição enquanto a González Byass se prepara para apresentar o plano que moldará a sua próxima etapa.