As exportações de vinho de Itália caíram 6,2% no primeiro semestre, lideradas por uma quebra de 14,1% nas vendas nos EUA.

As receitas recuaram para 3,6 mil milhões de euros, com nove dos 10 maiores mercados externos de Itália em queda e os vinhos espumantes a mostrarem mais resiliência do que os vinhos tranquilos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

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As exportações de vinho de Itália caíram 6,2% no primeiro semestre, lideradas por uma quebra de 14,1% nas vendas nos EUA.

As exportações de vinho de Itália caíram no primeiro semestre de 2026, prolongando uma desaceleração que os produtores associam a uma procura global mais fraca, orçamentos familiares pressionados e incerteza geopolítica persistente.

Os dados do Observatório da UIV mostram que as receitas de exportação recuaram 6,2% face ao ano anterior, para pouco mais de 3,6 mil milhões de euros, no período de janeiro a junho. Os volumes exportados também desceram, 4%, enquanto o preço médio de exportação caiu 2,3%, sinal de que a quebra não foi provocada apenas por menos remessas, mas também por preços mais fracos.

A fraqueza foi generalizada. Segundo o Observatório da UIV, nove dos 10 maiores mercados externos de Itália para o vinho registaram quedas no semestre. A procura fora da União Europeia diminuiu 7,5%, enquanto as exportações para os países da UE recuaram 4,2%.

O maior recuo entre os principais destinos de Itália veio dos Estados Unidos, o seu maior mercado em valor. As vendas caíram 14,1%, para 849 milhões de euros, nos primeiros seis meses do ano. Ainda assim, o observatório disse que os números provisórios de julho e agosto apontam para uma recuperação de dois dígitos no mercado dos EUA, sugerindo que a contração no primeiro semestre poderá ter abrandado um pouco durante o verão.

Na Europa, a Alemanha e o Reino Unido também registaram quedas claras. As exportações para a Alemanha, um dos maiores compradores de vinho de Itália, recuaram 6,8%, para 534 milhões de euros. As vendas para o Reino Unido caíram 6,6%, para 346 milhões de euros.

Nem todos os mercados seguiram a mesma tendência. As remessas para a Rússia subiram 15,7%, enquanto as exportações para a China aumentaram 19,8%. O Brasil também registou crescimento, de 8,2%, e o bloco mais alargado do Mercosul apresentou uma subida de 18,4%. Esses ganhos, contudo, não foram suficientes para compensar a fraqueza dos mercados estabelecidos de maior dimensão, em particular os EUA e a Europa Ocidental.

O desempenho também variou consoante a categoria de produto. Os vinhos espumantes aguentaram-se melhor do que os vinhos tranquilos e foram uma das poucas áreas a evitar uma quebra significativa. A categoria registou um crescimento de 0,4% no primeiro semestre. Em contrapartida, os vinhos tranquilos engarrafados estiveram sob muito maior pressão, com as exportações a cair 8,9%. Dentro desse segmento, os tintos recuaram 9,3% e os brancos desceram 7,0%.

Os dados regionais mostram que algumas das áreas produtoras mais conhecidas de Itália foram duramente atingidas. O Véneto, um dos principais motores de exportação do vinho italiano, viu as remessas caírem 8,4%. A Toscana registou uma quebra de 7,4%. O Piemonte foi a exceção. As suas exportações subiram 2,4%, permitindo-lhe recuperar o segundo lugar entre as regiões exportadoras, ajudado por vendas mais fortes de Asti Spumante.

Lamberto Frescobaldi, presidente da UIV, disse que o vinho italiano está a ser afetado por um declínio estrutural mais amplo da procura global, que também está a pesar sobre outros grandes países produtores de vinho. Acrescentou que a pressão foi intensificada pelas condições económicas, que limitam o poder de compra dos consumidores, bem como pelas tensões geopolíticas.

Frescobaldi disse que o setor precisa de uma reorganização a nível sistémico para responder a essas pressões. Os seus comentários apontam para um debate que tem vindo a ganhar força em todo o setor vitivinícola europeu, onde os produtores têm enfrentado um consumo mais fraco em alguns mercados maduros, alterações nos hábitos de consumo e um ambiente comercial mais difícil.

O Observatório da UIV disse que os indicadores do início do verão sugerem que poderá ser possível alguma estabilização, desde que as tensões internacionais não piorem. Isso deixa a segunda metade do ano aberta a diferentes desfechos, sobretudo nos EUA, onde a recuperação do verão poderá oferecer apoio se se prolongar pelo outono.

Para o setor das bebidas, os números do primeiro semestre têm importância para lá dos produtores de vinho. Receitas de exportação mais baixas e preços médios mais fracos podem afetar as decisões de compra e de gestão de stocks de importadores, distribuidores, retalhistas e operadores de hotelaria nos principais mercados de destino. Se a pressão sobre os vinhos tranquilos continuar enquanto os espumantes se mantêm mais estáveis, as empresas do comércio de bebidas poderão ter de ajustar com mais cuidado, nos próximos meses, o mix de produtos, os preços e as promoções.

Os números também aumentam a pressão sobre as adegas que dependem das exportações para uma grande parte das receitas. Uma desaceleração generalizada nos principais mercados pode dificultar o planeamento da produção, sobretudo quando a procura é desigual por categoria e por região. Nesse contexto, a relativa resiliência dos vinhos espumantes e o melhor desempenho em mercados como a China, o Brasil e partes da América do Sul poderão atrair mais atenção dos produtores que procuram compensar a fraqueza nos EUA, na Alemanha e no Reino Unido.

A Itália continua a ser um dos principais exportadores mundiais de vinho, pelo que as mudanças nas suas vendas externas são acompanhadas de perto em todo o negócio global das bebidas. Os dados do primeiro semestre indicam que o setor continua a lidar com um ambiente externo difícil, embora alguns sinais de verão sugiram que as condições possam ter deixado de piorar, pelo menos numa parte do mercado.

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